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CONVITE DE MISSA DE 3 ANOS
Roberto Rogerio de Santana
A família convida para a missa em sua memória, domingo, dia 07/02, às 7 horas, na Igreja Nossa Senhora Aparecida (Capelinha). Pelo comparecimento, agradece. 
 
CONVITE DE MISSA DE 7 ANOS
Iolanda do Nascimento Souza
A família convida para a missa em sua memória, domingo, dia 07/02/16, às 19h00, na Igreja Nossa Senhora da Conceição (Catedral). . Pelo comparecimento, agradece. 
 
CONVITE DE MISSA DE 7º DIA
Paulo Vergílio da Silva
A família convida para a missa em sua memória, domingo, dia 07/02/16, às 19h00, na Igreja São Judas Tadeu. Pelo comparecimento, agradece. 
Morreu Gaspar Batista dos Reis, letrista e pintor que fez carreira em Franca
Morreu na sexta-feira, dia 5, em sua casa, por volta de 17h30, o conhecido pintor e letrista Gaspar Batista dos Reis, aos 73 anos. Acometido de câncer, não se submeteu a tratamento. A agressividade da doença se acentuou nos últimos meses. A família o conduziu a exames e o diagnóstico foi trágico, para todos: não havia mais o que fazer. Acamado em casa desde meados da semana passada e submetido a medicações pesadas contra a dor, Gaspar enfrentou rápida falência de órgãos. A seu lado, a mulher, Nilda Queiróz dos Reis — com quem teve 38 anos de casamento e dois filhos, Ruthskaya e Igor —, e o irmão, João Elisabeth de Rezende, presidente da Sociedade São Vicente de Paulo, de Franca. 
 
Na tarde da sexta-feira, João foi visitá-lo. Gaspar lhe fez uma saudação com os olhos. Nilda perguntou ao marido quem é que lá estava. Respondeu com a firmeza que lhe foi possível. ‘É meu irmão’. Falou e estendeu a mão a João, pedindo para sentar-se. Ao acomodar-se, teve uma violenta crise e foi a óbito.
 
Gaspar e João nasceram em Tapira (MG), filhos de Divino Batista de Rezende e Marcelina Garcia de Rezende, ele, lavrador, e ela, professora de escolas rurais. Desde muito cedo Gaspar revelou dons para a escultura e o desenho. ‘No sítio onde morávamos havia argila preta. Gaspar, aos 9 anos, começou a moldar essa argila, sem qualquer aprendizado anterior, e torná-la casas, animais, pessoas, cozinhando tudo no fogão a lenha de nossa casa’, disse João.
 
Na escola, seus desenhos faziam sucesso. Por desejo da mãe, que queria aproximar os filhos de escolas mais capacitadas, a família se mudou para Franca em 1955. ‘Gaspar também já criava pinturas e letras artisticamente produzidas. Aqui, aproximou-se de pintores conhecidos e absorveu o que pode’, disse o irmão.
 
Percebeu que sua habilidade com letreiros podia se tornar profissão. Por correspondência, fez curso no Instituto Universal Brasileiro. Mais tarde, em São Paulo, cursou a Panamericana de Artes. 
 
Mais alguns anos, conheceu o pintor Modenezzi que, também letrista, tinha seus serviços muito solicitados, mais do que podia atender. Gaspar passou a receber parte desses serviços. Dividia trabalhos com o também letrista, Gileno Rodrigues da Silva. Corriam as décadas de 70 e 80, Franca sediando a Francal, feira nacional de calçados e artefatos. Gileno e Gaspar, observando a oportunidade, decidiram-se por criar a Gê Gê Letreiros. A empresa se tornou referencial em sua área, e uma das principais prestadoras de serviço das feiras aqui foram sediadas até 1983. 
 
‘Foram quase 30 anos de trabalho conjunto. Tivemos que passar por muitas revoluções em nosso trabalho. Se antes podíamos fazer nossos letreiros como obras de arte, a pressa do mercado passou a exigia mais eficiência em menor tempo. Quando chegaram os computadores, deixando a produção de sinalização visual ainda mais rápida, Gaspar, gênio forte, resolveu deixar a empresa e ir fazer seu trabalho manual em casa. A empresa ainda existe hoje, mas saber de sua morte é triste. Fomos companheiros de muitas jornadas. Fica a saudade do amigo e o respeito pelo seu trabalho’, disse Gileno.
 
João Rezende confirma. ‘Gaspar não conviveu bem com as mudanças que a modernidade lhe apresentou. Mesmo em letreiros, queria produzir arte pura. Dizia que fazer ‘porcaria’, preferia não fazer. Devagar, deixou de lado o letrismo e se lançou à pintura de quadros, assinando Gê dos Reis’, disse seu irmão. ‘Quis, também, abrir atelier para ensinar os mais jovens, mas a administração desse tipo de negócio o constrangia. Tentou em Franca, e também tentou em Araxá (SP) por sugestão de amigos pintores de lá, mas tudo não passou de sonhos dele. Era um artista, e como tal, morreu’, concluiu João.
 
Por quatro ou cinco anos, formou uma dupla sertaneja, já que também tocava viola, e bem. ‘A música foi outra de suas paixões. Em certa época, aproximou-se da música clássica russa. Apaixonou-se. Os nomes escolhidos para seus filhos, Ruthskaya e Igor, não deixam dúvida sobre a intensidade de seu gosto pela cultura russa. Também fez teatro amador, integrando grupos que eram coordenados pela Fetanp, conduzida, à época, pelo radialista — e depois prefeito — Sidnei Rocha’, concluiu João.
 
Velório e sepultamento ocorreram ontem, sábado, dia 6, no São Vicente de Paulo e Cemitério Santo Agostinho.
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