Jornalista e diretor executivo do GCN.
Advogado, ex-coordenador do Procon/Franca
Jornalista, escritora, professora
Jornalista e editor de Opinio do 'Comcio'
Advogado e professor

Os comentrios e textos dos leitores e articulistas do Comrcio
A solidariedade do brasileiro j bastante conhecida. A cada campanha de ajuda, todos se unem para auxiliar e permitir que semelhantes
DOAÇÃO É, PARA MUITOS, a ÚNICA ESPERANÇA DE LEVAR UMA VIDA NORMAL
A solidariedade do brasileiro já é bastante conhecida. A cada campanha de ajuda, todos se unem para auxiliar e permitir que semelhantes como o pequeno Davi Miguel, que se recupera de cirurgia em Miami, nos Estados Unidos, levem uma vida normal. A cada apelo, francanos se unem em torno de uma campanha solidária em favor de alguém que precisa. Os exemplos são muitos e variados, mas que não precisariam ser replicados caso as doações – não apenas de sangue mas também de órgãos, como coração, fígado, rins e córneas, entre outros – fizessem parte do cotidiano daqueles que desfrutam de boa saúde e podem fazer o bem, auxiliando aqueles que precisam. O brasileiro, mesmo solidário, ainda apresenta uma atitude conservadora, negando ao próximo a possibilidade de uma vida normal diante da necessidade de um transplante, que é a última esperança para milhares de brasileiros.
 
É necessário que o ato de doar (em vida ou após a morte) se torne uma prática corriqueira. No caso do sangue, a doação (desde que não fira preceitos religiosos) é até benéfica não apenas para os que o recebem. Só a satisfação pessoal de se fazer o bem já é paga suficiente. Como o sangue é renovado, não se pode temer por sua perda. Há muitos que dependem de uma transfusão, não apenas doentes crônicos, mas também acidentados que perdem sangue e o organismo não consegue repor em pouco tempo. A maioria das cirurgias invasivas também necessita do sangue e de seus derivados como plasma ou plaquetas. Houve tempo em que hospitais faziam campanhas em empresas para conseguir doadores, em casos pontuais. Hoje, é muito mais fácil, ainda mais depois que os hemocentros passaram a testar todos os doadores, para eliminar quem tenha doenças transmissíveis, o que ainda concorre para permitir o seu tratamento.
 
Já se falou bastante que doar é um ato de amor. Mais do que isso, é um ato de desprendimento, de benemerência, de respeito ao próximo. Nada mais salutar do que permitir que a vida seja preservada e a sanidade restaurada. A enorme fila de pacientes esperando a doação de órgãos, muitas vezes única saída para que restabeleçam a saúde, mostra que ainda estamos longe do ideal nesse sentido. A retirada dos órgãos após a morte deveria ser natural, sem a necessidade de campanhas ou apelos que bancos de sangue e de órgãos fazem periodicamente. Se isso acontecer, certamente milhares de brasileiro irão agradecer. Basta que abandonemos o egoísmo e passemos a exercitar diariamente a solidariedade e o espírito de bondade que deveriam ser inerentes a todos nós.