Verde

Por:

Porque é a cor do novo, do frescor, do viço, da energia, de tudo que se inicia. Um broto é verde, um botão é verde, são verdes as folhas vivas e muitas sensações.
 
Porque tem a ver com vida, está conectado à harmonia dos sistemas que garantem a existência, é um breve contra todos os predadores.
 
Porque é metáfora de esperança, esta que nos mantém, garante, estimula, acena com possíveis alvíssaras mesmo se tudo parece escuro.
 
Porque é palavra forte. Dos adjetivos que designam cor nas línguas de origem latina, é o que menos sofreu metamorfoses. Viridem, nome de tudo que pertencia ao mundo vegetal, mantém há séculos sua raiz ver - em português, espanhol, italiano, romeno, francês.
 
Porque permanece pulsante no célebre Romance sonâmbulo, do jornalista-poeta Federico Garcia Lorca, a quem assassinaram em agosto de 1936, em Granada, aos 38 anos, porque “ era mais perigoso com sua caneta que os outros com seus revólveres”:
 
Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
Y el caballo en la montaña.
 
Porque verde também é o movimento sobre as superfícies menos amenas e a liberdade de navegar em oceanos de todos os matizes: verde que te quero verde/ quero ver-te/ quero ver/ vertever.
 
Porque é mistura de azul e amarelo.
 
Amanhã o verde vai colorir centenas de pontos de nossa paisagem. Mire e veja, diria aquele personagem de Guimarães Rosa para os que não são daltônicos.

 

Sônia Machiavelli
Autora de Uma Bolsa Grená, Estações, Jantar na Acemira e O Poço

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras