Chuvas

Por: Marina Garcia Garcia

Para Mônica

 

“Ei, minhas plantinhas, me encham de luz”. 

A chuva da véspera tinha feito milagres. Havia mais cor e verde naquele minúsculo canteiro.

Apreciar-lhe o viço era reconfortante. Assim, o olhar aflito se deteve alguns minutos a mais. Pensou reanimada que se um pouco de chuva fizera aquilo, provavelmente haveria ainda muita beleza se viesse mais.
 

A vida, ultimamente, impusera-lhe uma secura irrespirável. Caiu-lhe, sobre a cabeça, uma torrente de problemas. Mal conseguia resolver um e lá vinham outros.
 

Agora mais este: a erva daninha campeava livre por todo seu corpo e numa tentativa de livrar-se do problema o cauterizavam com ferro em brasa. Sentira a sensação de quentura, e, quem sabe, talvez, alcançaria a solução. Enganara-se. Fora fácil pegar fogo e, agora, as labaredas lambiam impiedosamente os recônditos do ser. Perdera as forças, esmorecera, desanimara.
 

Desistir?
 

O aguaceiro viria e lavaria todas as dobras do destino, deixando-a reluzente numa extravagância de arco-íris. Tinha certeza: era preciso resistir até lá.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras