Relíquia

Por: Farisa Moherdaui

Ah, sim, você me pergunta o que foi feito daquele casaco de lã, marron, gola em bico e bolsos quadrados? Aquele macio, aconchegante e que fora um dia da minha saudosa mãe- depois da saudosa irmã, da outra e finalmente meu? Não sei onde possa estar, mas Nilda e eu temos procurado por todos os cantos da casa e até fora de casa, e nada de achar.

Nas gavetas dos armários dos quartos, da sala, da cozinha, no baú lá na casinha do quintal, na casinha da Pink e até em lugares onde a gente costuma ir como a loja do Badi, Casa das Cortinas, restaurante JJ, a loteca na pracinha, Xodó cabeleireiro, Varejão Patrocínio, mas tudo em vão.

Até me arrependo de não tê-lo dado de presente para minha prima Sofia, que sempre se encantou com o casaco macio, bonito e com seu cheirinho de naftalina; se com Sofia, pelo menos estaria com a família.

Mas também, como dispor daquela relíquia que fora de minha mãe, depois das minhas irmãs, e até chegara a ser o meu casaco? E aquelas bolinhas que se formam na lã, depois de algum tempo de uso, e que davam tanta graça ao meu casaco macio, marron, gola em bico, botões vistosos, bolsos quadrados.

-O casaco então era já um tanto velho e usado?

-Novo, novo, não; mas nem tão velho, uns quarenta anos pelas contas que fiz.

Agora Nilda, teimosa e querendo resolver tudo, deixa aqui um recado: caso alguém encontre em algum lugar um casaco de lã, marron, gola em bico, botões vistosos e bolsos largos, ligue para ela, para Nilda, através de seu telefone fixo, do seu celular ou do 08000. E-mail não vai adiantar, é perder tempo.

-Se já faz algum tempo que o casaco sumiu?

- Mais de um ano, mas um dia pode ser encontrado, né?

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