Tesouro

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A amada reclama:

Seus textos são tristes demais!

Menina, o homem pega todas as ferramentas de que dispõe. Coloca-as junto à bagagem e percorre os campos que a sina lhe ordena. Feito isso, olha de um lado a outro e se põe a cavar o chão que lhe escolheram. Bate com a pá em duras pedras que lhe ferem as mãos, recua, pensa desistir, enxuga o suor que o cega temporariamente, resigna-se. De repente, percebe que o solo se desfaz a cada golpe, as chagas descansam, enquanto a exaustão lhe subjuga as forças. Mas a areia ameaça desmoronamento, sufoca-lhe a esperança, e ele se vê cavando mais rápido.

Exaurido, percebe o som de metal contra metal, encontra sua arca, que possui tranca enorme, vasculha chaves e, a custo, abre o enorme baú que se encontra vazio. Possui imensa vontade de gritar, de chorar; no entanto, seus olhos permanecem secos, alguma coisa lhe aperta a garganta, há peso incomum sobre seu peito, aquieta-se.

Ordenam-lhe novos campos, persiste cavando bocas enormes na terra, todas vazias. Um dia, percebe que suas ferramentas estão muito gastas para o serviço, as forças não lhe são companheiras fiéis. Põe-se em caminhada.

Em certo momento, tropeça, quase cai, encontra a tão desejada pepita. O corpo rijo curva com dificuldade. Examina o metal precioso, o brilho, a pureza, a mente se confunde. Por que aquilo que desejamos mais ardentemente chega tão frio em nossas vidas?


Carrega com dificuldade o pesado metal, busca um dos campos onde um dia cavara, pega uma das arcas vazias e a coloca à vista de todos, repousa o tesouro no fundo da enorme caixa e, enquanto espera a visita de um jovem caçador de tesouros, seus olhos choram.

Marco Antonio Soares
Professor de Lingua Portuguesa

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