A capela

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O colégio era imenso: classes e mais classes, longos corredores, salas especiais. Professores, irmãs e alunas formavam uma verdadeira multidão. Nos intervalos e no recreio ouvia-se um burburinho completado depois com risadas, gritos e cantos.

O sino toca! Silêncio total! Todos caminham para as filas e para as salas de aulas. Aulas e mais aulas! Acontecimentos normais de uma escola.

O que era diferente? Era a visita à Capela. Lá reinava a paz e a serenidade! Ajoelhar-se naqueles bancos dava sentido de recolhimento e reflexão. Olhar a imagem da Virgem de Lourdes, tão linda, tão serena colocada naquela gruta que lembrava o local onde a Virgem apareceu pela primeira vez à Bernadete, lá em Lourdes, na França, era um conforto sem igual.

Ali, os lábios se abriam em preces, os olhos se enchiam de lágrimas. Os segredos mais profundos eram contados à Virgem. Só Ela poderia ouvi-los e apiedar-se daqueles pequenos corações tristes e, às vezes, saudosos e aflitos.

Muitas alunas eram internas no Colégio e sentiam falta do aconchego do seu lar, de seus pais e irmãos, parentes e amigos. Elas vinham de longe para estudar no Colégio de Lourdes e receber uma formação integral através de um currículo extenso como também em busca de um aprendizado de comportamento, de ética e de moral. Lá, as alunas aprendiam as orações, o respeito, a delicadeza e o amor a Deus e ao próximo.

A Capela, construída há muitos anos, tem colunas trabalhadas, vidros coloridos e pintura adequada ao estilo da construção. De um lado uma imagem de São José e de outro a imagem do Coração de Jesus formado com a imagem de Nossa Senhora de Lourdes e trio protetor das irmãs de São José, das alunas e de todos os que frequentavam aquele lugar de recolhimento.

Quanta saudade ficou no coração das ex-alunas do Colégio de Lourdes e em especial daquela capela silenciosa e aconchegante que recebia a todos que quisessem dela se aproximar!

A Virgem, vestida de branco, com uma faixa azul na cintura, numa postura de carinho e compreensão, jamais sairá da memória daqueles que entraram naquele santuário de bênçãos.

A Capela ficou abandonada, serviu de depósito, foi vitima de cupins e de goteiras e tornou-se irreconhecível.

Mas, muitas pessoas foram sensibilizadas pelo seu significado para muitas gerações e admiradas pela sua construção artística. Várias autoridades, bispos e padres se uniram e se propuseram e restaurar esta relíquia espiritual que poderá ser aproveitada para as atividades litúrgicas.

O trabalho já começou. É preciso continuar. É um trabalho dispendioso. Mas, as ex-alunas e o povo bom de Franca saberão colaborar para a realização de um sonho: ver a Capela novamente recebendo pessoas que se aproximem de Nossa Senhora de Lourdes para pedir as suas bênçãos.

Contamos com vocês!


“...A Catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão
cansados ponho
Recebe a benção de Jesus ...”

Alphonsus de Guimaraens


Eulália Maria Jacintho Mesquita
Professora

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