Cuidado: bebês no trânsito

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Eu enxergava bem, via o comportamento das mães, ficava indignado.

Toda vez que conduzia o carro pelas vias do Ângela Rosa, bairro onde moro, tinha de tomar cuidados extremos para não atropelar alguma mulher empurrando carrinho de bebê. Algumas vezes, inclusive, não me continha.

- Maluca... Não sabe pra que serve a calçada ?

Meu grito e meu desabafo se perdiam em meio ao cheiro de borracha queimada no asfalto, em meio ao ruído das buzinas gritando advertências.

O tempo pingou gotas de lucidez nos meus olhos.

Aposentei o carro, faço forçadas e longas caminhadas. E, literalmente, caminho pelas ruas do meu bairro.

No começo, querendo me resguardar de acidentes e de insultos, andava pelas calçadas. Os desmesurados desníveis delas, a irregularidade de seus pisos, no entanto, levaram-me a formidáveis quedas, a terríveis vexames.

Restou-me transitar pelas ruas.

Ultrapasso carrinhos de bebês, condói-me o rosto vermelho das mulheres, quando são insultadas pelos motoristas.

Eu, porém, reajo como criança aconchegada no carrinho. Faço de conta que não é comigo, quando algum motorista cego, quando uma cavalgadura qualquer me envia coice através da janela do carro:

- Sai da rua, velho... Vai pra casa vê televisão...

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