Maravilhoso mundo novo

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Coitado do europeu.

Nasce num mundo velho, vive em meio ao que é velho e namora coisas velhas. Apesar de terem gerado conflitos seculares e parido duas guerras grandes, cultiva e exporta idéias velhas.

Coitado do europeu.

Morrerá sem nunca ter-se ajoelhado aos pés do Cruzeiro do Sul, sem nunca ter visto luzir e sorrir o Sol na cabeceira da Serra Canastra e, depois de um dia de labuta, galopar na garupa da Serra Saudade, ir dormir lá na outra banda da montanha.

Coitado do europeu.

Nunca poderá comprovar que o fio de água na serra é filho da ternura e muito mais belo que a braveza do mar.

Coitado.

Morrerá sem nunca ter amado uma mineirinha bonita, que é de Santa Rita, que amanhece minha vida e embala minha canção.

Pobre coitado.

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