Malícia

Por: Chiachiri Filho

A malícia não está no texto e nem no fato. A malícia está na cabeça de quem interpreta o texto ou vê o fato.

Originário de Minas Gerais, o Sr. Olinto Pinto Coelho estabeleceu-se em Franca com o seu famoso Empório Coelho. Homem sério, religioso ( era um dos líderes do protestantismo em nossa cidade ), respeitador e muito respeitado. Não falava palavrões, não bebia, não jogava, enfim, tinha um comportamento corretíssimo. Para provocá-lo, sem que ele percebesse, seus amigos costumavam perguntar-lhe se fulano, sicrano ou beltrano de sobrenome “Coelho” eram seus parentes. Olinto, com toda cerimônia, formalidade e ingenuidade dizia:

- Se tiver “ Pinto”, sim. Se não, não.

Fora de suas vistas, o povo ria e deliciava-se com a resposta e a repetia sempre que houvesse oportunidade.

Continuando o assunto, há, nos arquivos cartoriais da capital paulista, um despacho interessante, hilário e digno de destaque. Trata-se do pedido de uma jovem senhora, recém-casada, que teve omitido o sobrenome de seu marido em seu registro de casamento. Após a lua de mel, mais calma e sem os atropelos da preparação das núpcias, a referida senhora peticionou ao Juiz para que o sobrenome do marido, que era “Pinto”, fosse acrescentado ao seu nome de casada. O Juiz atendeu prontamente o seu requerimento com o seguinte despacho:

“Mando ao escrivão do seo cargo, ao diante nomeado, que insira o ‘Pinto’ no assento da suplicante, visto não tê-lo feito o seu marido em tempo hábil”.

Registre-se, cumpra-se e comunique-se aos interessados.

Para que não haja dúvidas, esclareço ao prezado leitor que o termo ‘assento’ refere-se aos livros de registro civil, tais como os livros de Nascimentos, Óbitos e , obviamente, Casamentos.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras