Receita de biscoito da sorte

Por: Karina Gera

Esta semana ganhei um cachorro especial, um basset arlequim albino de olhos azuis e uma pinta que parece uma gota de tinta na ponta do nariz. O filhote é agitado, coloca a patinha para todo lado e adora tirar a espuma das almofadas. O branquelo parece uma tela pronta para pintar uma história feliz. Felicidade é exatamente o que ele nos trouxe. Em um corpinho magrelo e comprido, se joga desastradamente em direção à parede, porta, sofá e tromba com tudo o que estiver no caminho. É corajoso o bichinho, destemido, corre sem direção e alcança sua cama, comida e água. Isso poderia ser uma ação cotidiana para a rotina de um cachorro, se não fosse a limitação que descobrimos há pouco, o ‘tutu’ branquinho não escuta e quase não enxerga, uma anomalia genética o impede de ter os mesmos sentidos que um cachorro normal. A maior característica de um cão é estar sempre de orelha em pé para dar sinalizar o perigo. Biscoito, nome que escolhemos, nunca fará isso, ele nem acorda quando chegamos em casa, não corre para o portão, não responde ao barulho de um assovio, mas o que eu não sabia é que ele apareceu para me mostrar que preciso mais dele do que ele de mim. Quando chego em casa exausta após um dia cheio de compromissos, descubro que o Biscoito está pacientemente a me esperar e mesmo sem me ouvir percebe minha presença pelo olfato e vem até minha direção derrubando obstáculos pelo caminho e quase que de uma forma desengonçada pula na minha perna e faz com que eu esqueça todos os meus problemas com uma gargalhada. Isso sim é que é um biscoito da sorte.

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