A Tia da história

Por: Josiana Paula Borges

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Eu tive muitas professoras que marcaram a minha vida de forma especial. A primeira professora a gente nunca esquece, isso é fato. E depois dela vão ficando no nosso coração aquelas que nos trataram com mais carinho, que “puxavam nossa orelha”, que nos consolavam e que se tornaram grandes amigas.

Porém, me peguei lembrando um dia desses de uma professora que marcou minha vida de uma forma inusitada. Ela foi marcante, mas de forma diferente de tudo isso que citei anteriormente. Ela dava aula de história e pra ser bem sincera, no começo não gostei dela.

Eu tinha meus 13 anos e estava na sétima série (atual oitavo ano). Minhas notas eram sempre altas, quase sempre máximas, porque eu gostava da matéria e estudava bastante. De repente, com a saída da antiga professora, eis que surge a Tia Rose Mary (pronunciava-se Rose Meire). Era alta, tinha cabelos curtos e avermelhados e muito bem escovados. Tinha olhos verdes salpicados de castanho, uma pele clara e já com suas marcas da idade, vestia-se impecavelmente bem e tinha um tom de voz suave, doce, mas firme.

Ela chegou, deu suas aulas com aquela elegância e paciência características e eu, sempre sentada na frente, prestando atenção, como de costume. Dias depois vieram as provas bimestrais. E dias depois ela chegou com as provas corrigidas e as notas da classe. Lembro-me como se fosse hoje a minha decepção, logo seguida por uma raiva que ficou estampada no meu rosto. Eu havia tirado 7,5 (sete e meio) e a prova valia 10 (dez). E eu acostumada a tirar sempre 9,5 ou 10 fiquei com ódio da professora. Fiquei junto aos colegas da sala reclamando, perguntando como era possível aquela nota se eu havia estudado e nunca havia tirado menos que 9, e os colegas sem entender, afinal, minha nota não estava abaixo da média. Resolvi então falar com a professora.

Cheguei à mesa dela cheia de razão, com o semblante fechado e nem um pouco disposta a aceitar as explicações dela, embora nem as tivesse ouvido ainda. Lembro-me como ela esboçou um sorriso, que já me desarmou. Ela, sentada à sua mesa, pegou minha mão, colocou sobre o ombro dela, forçando-me a chegar bem perto, ficando com a cabeça dela quase encostada em meu ombro. Passou o braço pela minha cintura e com minha prova na mesa, começou a explicar as questões e mostrar meus erros. E no fim da análise apenas me disse: “Você praticamente copiou a apostila. Não é isso que quero. Quero saber o que você sabe, com suas palavras e sua opinião. E sei que você faz melhor que isso. E não gostei da sua cara emburradinha!”.

Jamais esqueci esse dia e a forma como ela abrandou meus sentimentos sem usar de força ou autoridade alguma. Ela veio com carinho, calma e sabedoria enquanto eu ía com raiva, indignação e imaturidade. A partir desse dia eu aprendi, de verdade, o que era “aprender” uma matéria, e não apenas decorá-la. E aprendi também que educação, carinho e amor são os maiores aprendizados que levamos de uma escola. E são os maiores exemplos que apreendemos de uma pessoa.

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