A alegria do povo

Por: Chiachiri Filho

Uns começam a torcer por um time de futebol em virtude da cor da camisa. Outros, por causa de um jogador fenomenal. Outros ainda, por influência de familiares ou do grupo social em que está inserido. Portanto, são vários os motivos pelos quais alguém se apaixona por uma equipe de futebol.

Descobri o Corinthians em 1954 e, desde então, jamais o abandonei. Era a época de Cabeção, de Luisinho ( o Pequeno Polegar ), de Baltazar. De 54 a 77, o time não conseguiu vencer nenhum campeonato. Evidentemente, minha fidelidade ficou abalada. Tentei torcer para outra associação desportiva que me pudesse dar alguma alegria. Contudo, à primeira vitória do Corinthians, eu voltava à velha paixão. Compreendi, em tempo, que o Corinthians independe de vencer campeonatos. Basta-lhe uma vitória, uma vitória pontual, retumbante, inesquecível.

Não sei por que ainda me interesso por futebol. Não me é dado vislumbrar as jogadas, os dribles, a beleza plástica do espetáculo. Mesmo assim, eu torço pela vitória e pela possibilidade de tirar um sarro nos palmeirenses, são-paulinos, santistas e outros times de menor importância. É a paixão que me anima e impele a torcer pelo alvinegro da Fazendinha.

Domingo passado, o Corinthians levantou o penta. A euforia tomou conta do povo. Afro- descendentes, turcos, judeus, espanhóis, enfim, brasileiros de São Paulo e de outros Estados da Federação, pularam, cantaram e gritaram de alegria. Todos se julgara partícipes da grande vitória. Era como se todos tivessem entrado em campo, chutado a bola, driblado e fintado. O futebol é assim: a torcida entra em campo, veste a camisa, derrama seu suor e sangue.

Em São Paulo, em verdade, só há duas torcidas: a contrária e a favorável ao Corínthians. A maioria está leve, alegre feliz e assim continuará até o próximo campeonato.

Domingo passado, morreu Sócrates, o Doutor, o mestre da bola, o ídolo da nação corintiana. Por ironia do destino, ele morreu num Domingo de futebol, numa decisão de campeonato. O corintiano chorou a perda de Sócrates e a conquista do Brasileirão. Tristeza e alegria num mesmo dia. Festa e velório. Lágrimas de pesar e cânticos de regozijo. Nem mesmo a morte de Sócrates, Atrapalhou a alegria dos corintianos. Enquanto o grande craque era sepultado, levantava-se a taça em sua homenagem e, deste modo, a tristeza transformou-se em celebração.

O futebol é isto: paixão , irracionalidade, fanatismo, diversão, briga, desentendimento, união, raça, alegria e celebração. Portanto, “Salve o Corínthians “, o eterno campeão dos campeões.

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