O leão e a gazela

Por: Everton de Paula

Tenho falado muito sobre a pressa nos dias atuais. O relatório é “para ontem”, estamos normalmente chegando atrasados para o almoço ou um compromisso qualquer, o motorista de trás quer sempre ultrapassar você, as informações pela internet, que já nasceram rápidas uma vez que você sabia sobre o mundo em questão de minutos, hoje utiliza tecnologias avançadas que lhe permitem saber notícias de todos os continentes em questão de segundos; os cursos nas faculdades estão ficando mais curtos com os chamados seqüenciais ou ensino a distância; é pressa, é muita pressa para se chegar ao objetivo, à meta proposta, ao resultado esperado, à conclusão do mestrado, ao calvário do doutorado... É muita pressa entre os jovens para se conhecer logo o sexo; e depois, experimentam tanto que ficam na dúvida se realmente querem casar. Para que casar se solteiro tenho apenas as delícias do casamento? Com o casamento, além do sexo, vêm os filhos, as contas, o aluguel, o cotidiano, as responsabilidades...

Pressa, muita pressa!

Comecei a pesquisar a origem da pressa. Encontrei respostas na antropologia cultural sobre as responsabilidades impostas ao homem, ao macho, ao masculino, tão mais pesadas que aquelas conferidas ao feminino; aprendi sobre a presença da mulher, cada vez mais marcante, nos segmentos da sociedade; entendi em que os meios de comunicação de massa influenciaram nossos costumes e por que apressamos nossos gestos... Mas nada que me explicasse com clareza o porquê da pressa.

Até que um dia ouvi uma história, muito simples e profundamente significativa.

A gazela, quando acorda pela manhã, já começa a pensar: “Hoje, tenho que correr mais rápido que o leão, se não o leão me alcança.” E inicia desabalada carreira floresta a fora.

O leão, quando acorda pela manhã, já começa a pensar: “Hoje, tenho que correr mais rápido que a gazela, se não ela me escapa de novo.” E inicia desabalada carreira floresta a fora.

Quem está à margem desses acontecimentos, só percebe que estão correndo, correndo, correndo, mas nem imagina a razão. O fraco corre do forte para mostrar-lhe que é mais forte na corrida questão de sobrevivência. O forte corre atrás do fraco para mostrar-lhe que está ali, permanentemente presente, e que mais cedo ou mais tarde o pegará também uma questão de sobrevivência.

E você, meu caro leitor, tem sido mais gazela ou leão ultimamente?

Uma outra conclusão perversa: quem não é leão nem gazela fica sempre no meio do muro, mas morre menos do coração!

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