Ainda vou encontrar

Por: Farisa Moherdaui

Num dia qualquer, através das páginas do caderno Nossas Letras, falei de um casaco marrom, aquele que em tempos passados fora de minha mãe, depois da minha irmã e finalmente meu. De lã, em tricô, gola quadrada, bolsos largos, botões brancos e grandes. A lã, salpicada por bolinhas que o tempo se incumbiu de deixar ali, mas, um luxo só o meu casaco que há um tempão está desaparecido. Eu, por mais que o tenha procurado por perto ou longe, e mesmo através de anúncios e rezas, não encontrei ninguém para dar notícias dele.

Mas uma outra oportunidade de encontrá-lo vou ter agora durante outro cruzeiro de que vou participar porque tenho a certeza de que o levei na bagagem quando da primeira viagem fiz há quatro anos.

Certamente no navio alguém se encantou com aquela gola quadrada, bolsos largos, botões brancos e grandes e ainda pelas graciosas bolinhas que, grudadas na lã, indicam marcas do tempo. Quem sabe também se a pessoa que o levou, depois arrependida, o tenha trazido de volta, entregado ao capitão do navio, e isto é animador; afinal capitão é capitão né? Talvez ainda esteja guardado na seção de perdidos e achados do navio.

Há ainda uma outra possibilidade de encontrar o meu casaco entre as roupas, sapatos e acessórios da prima Sofia, que é muito distraída e outra vez companheira de viagem, prima querida que sempre o admirou e que talvez por descuido ou engano o tenha guardado entre os seus pertences, porque coisas assim acontecem. Até mesmo o cheirinho de naftalina poderá servir de pista para encontrar o meu casaco marrom, quem sabe?

Oportunidades vou ter e o meu casaco de volta também, assim espero.

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