Censura

Por: Chiachiri Filho

Houve um tempo em que os princípios morais de uma sociedade eram transmitidos pelas religiões através dos seus cultos, práticas e prédicas. Os pecados eram inúmeros. Podia-se pecar por pensamentos, palavras e obras. Para os pecados mortais , havia o inferno e o inferno era terrível e temível: labaredas eternas queimavam eternamente os pecadores sem que seus corpos fossem consumidos a fim de que sofressem indefinidamente. Com o passar dos séculos, o inferno perdeu o seu prestígio, a moralidade sofreu a influência da relatividade e os pecadores puderam respirar mais aliviados.

Cada vez mais, as instituições religiosas foram perdendo sua influência na transmissão e consolidação da base moral de um povo. Hoje, a maior parte dos padrões de comportamento são estabelecidos pelos meios de comunicação e, especialmente, pelas televisões e suas novelas. As vestimentas, o palavreado, as atitudes, as ações, as maneiras de pensar, as grandes causas a serem defendidas chegam até nós e em nós criam raízes por força da imprensa, do rádio e da televisão. O pecado acabou e em seu lugar veio o “politicamente correto”. Em termos de comportamento sexual, a liberdade é ampla , geral e irrestrita: viva o sexo, façam o amor! A castidade é um horror, é um pavor, é um anacronismo. Até as religiões encontram dificuldades para defender alguns princípios, especialmente o da castidade. A permissividade é total : “ultra equinociale non pecavi “. Melhor dizendo: não há mais pecado nem antes e nem depois do equinócio.

Sou contra toda e qualquer censura aos programas noticiosos, aos livros e às obras de arte. A liberdade é fundamental para o desenvolvimento humano. Porém, há certas músicas e shows que representam uma verdadeira afronta à moralidade pública. Não têm nada de arte. Não têm nada de construtivo ou libertador. Não passam de corrupção de costumes e uma transgressão deliberada às normas morais de uma sociedade.

Dias atrás, uma família foi levar sua filha ao show de um cantor da moda. Ao chegar ao local do espetáculo, um deejay animava a festa antes da chegada do artista principal. O pai desligou o carro para ouvir o que o animador falava e tocava. Desceu do carro para ouvir melhor. Chegou mais perto para ter certeza do que ouvia. Voltou escandalizado. Nem na época das zonas do meretrício, dos mais baixos meretrícios, podia se ouvir um palavreado tão chulo quanto acabava de escutar. O deejay mandava o pau em tudo quanto era lado e em todos os orifícios possíveis. Não dava, não dava mesmo para deixar sua filha de 15 anos num lugar como aquele. Fechou a porta do carro, deu marcha ré e voltou para casa. No banco traseiro, a menininha de 15 anos , descontente, soltou um palavrão impublicável e ficou emburrada por quase uma semana.
 

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