Dogmatismos

Por: Chiachiri Filho

O dogma é uma verdade revelada, fundamental e indiscutível. Há dogmas religiosos, baseados na fé: acredita se neles ou não. Quem neles não acreditar está, automaticamente, excluído da Igreja.

Há dogmas ideológicos como, por exemplo, a idéia de superioridade racial dos nazistas. Este dogma prevaleceu durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos que a antecederam. O dogma do socialismo-marxista de uma sociedade perfeita, sem classes e, consequentemente, sem explorados e exploradores, durou até os nossos dias.

Além dos dogmas religiosos e ideológicos há também, por incrível que possa parecer, alguns dogmas científicos. Nada mais contrário a um dogma do que a ciência. A verdade científica não se apura através da crença ou da votação majoritária de seus adeptos. A ciência exige discussão, polêmica, experimentação, construção, comprovação. A ciência exige liberdade plena. Contudo, até a própria ciência estabelece alguns dogmas. Vejamos a Medicina. Antigamente, uma das terapias mais usadas era a sangria. Mais perto de nós, a extração das amígdalas era uma indicação constante e rotineira para a prevenção contra infecções.

Em nossos tempos, o grande dogma científico (depois da famosa camada de ozônio) é o efeito estufa. O efeito estufa e, consequentemente, o aquecimento da Terra causariam a destruição da vida. Há décadas este dogma vem aterrorizando os humanos. Aliás, os dogmas científicos são sempre catastróficos, apocalípticos. Trazem sempre o medo, o pavor, a certeza de uma devastação total. Ao nascerem, são absolutos, globais, massificantes. Baseados em estatísticas, em hipóteses, em micro-pesquisas, abafam e sufocam algumas vozes discordantes e atingem a população através da mídia sempre afeita às fortes emoções. Porém, ao contrário dos dogmas religiosos, os científicos não têm a mesma durabilidade. Aos poucos, os seus fundamentos vão sendo atacados e desfeitos. Homens de ciência, mais sérios e responsáveis, vão desconfiando das estatísticas, analisando as hipóteses e derrubando as teorias infundadas. E assim, vamo-nos livrando dos nossos pesadelos.

Hoje em dia, já se admite que o CO2 não é a causa do aquecimento global, ao contrário, o nosso planeta, apesar das grandes emissões de gás carbônico, está entrando num período de resfriamento. Admite-se também que o homem pouco influi no clima global da Terra. Sua influência é notada no micro-clima, na provocação de enchentes, na poluição e envenenamento das águas , do ar e do solo, no assoreamento dos rios, na destruição das matas ciliares, na devastação de florestas com sua flora e fauna. Porém, do efeito estufa estamos isentos de culpa e livres do medo. A natureza é mais forte e poderosa do que os humanos.

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