Notas avulsas

Por: Everton de Paula

Não estou sozinho nas críticas que venho fazendo à educação superior no país. Agora é Lya Luft quem escreve, na última edição de Veja (1º de agosto 2012) , página 12: ‘E, quanto mais baixamos o nível do ensino pensando agradar aos mais simples e incluir os mais despossuídos, em lugar de lhes prestar um favor apenas lhes oferecemos coisas piores.’ É difícil entender essa lógica caolha?

2. O julgamento do mensalão começou esta semana. Não pode, não deve ser um julgamento da mídia, nem do próprio povo, pois já lhes sabemos os vereditos. Vamos apenas confiar naqueles que traçarão a sorte dos mensaleiros e o próprio futuro do PT. Haverá imparcialidade e punição a quem a mereça? Sinceramente, eu não sei responder, a basear na história e na cultura de nossos representantes parlamentares. Mas creio em que a sociedade esteja de olhos abertos... E isto deve pesar em ano de eleição.

3. Uma pesquisa divulgada pela Unesco revela que os estudantes brasileiros estão em penúltimo lugar na fila do desempenho escolar, conforme avaliação feita em 41 países. Apesar de ter havido profundas mudanças na política educacional brasileira na última década, o país continua a dar vexame quando se trata de ensinar. Será por quê? É fácil dar ao menos uma resposta dentre várias: deu-se prioridade à quantidade em vez da qualidade!

4. Pelos últimos acontecimentos na política nacional, estadual e municipal, conclui-se que é mais fácil encontrar uma mulher resignada a envelhecer do que um político inclinado a reconhecer o próprio erro e resignado a se retirar da cena.

5. Gozado o curso de Letras de qualquer faculdade: primeiro é preciso saber bem o Latim; depois é preciso esquecê-lo para sobrar mais espaço na memória!

6. Nem sempre a gente acerta; nem sempre vence. Existem erros e perdas. Às vezes, a gente diz ou escreve algo que vai contra a fé, o credo, o time, o pensamento de alguém. E o que mais admiro: é quando a pessoa atingida se manifesta de forma elegante, respeitosa e, assertivamente, diz que não concorda com nosso pensamento e sugere terminar por ali a discórdia. É reconfortante lidar com pessoas civilizadas, educadas, honradas, éticas... Mesmo que elas tenham pensamento contrário ao nosso. Não é formidável? Sou terminantemente contra o radicalismo e aberto às ideias multiconceituais. Falemos de amenidades quando encontrarmos os amigos e evitemos, a qualquer custo, ferir alguém. Antes de escrever ou falar alguma coisa, pergunte-se: 1. É verdade? 2. É ético? 3. Vai produzir bem-estar das pessoas 4. Fere alguém? Se as respostas forem, respectivamente 1.SIM 2.SIM 3.SIM 4.NÃO, vá em frente! Deixei de ser incendiário, busco ser bombeiro. A concórdia, acima de tudo.

7. Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa: ‘Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada’. Não é formidável como se presta ao Brasil do momento?

8. Eu sou um professor aposentado muito feliz. Todos os ex-alunos que encontro hoje na vida me sorriem francamente quando me cumprimentam, como a dizer: ‘Valeu a pena, viu?’

9. Encheu-nos de satisfação saber que a cronista social Patrícia foi citada num programa da Rede Globo de Televisão. Parabéns a ela e à sua biógrafa Lúcia Helena Maniglia Brigagão, autora de “Querida”, companheira da Academia de Letras de Franca.

10. Estaremos uma vez mais participando da Semana Euclidiana de São José do Rio Pardo, evento cultural em que me faço presente como palestrante desde 1970. Mas isto não é o importante; interessante mesmo é notar que a cada ano o pensamento de Euclides da Cunha sustenta-se na atualidade e permanência, dado o vigor de sua denúncia quanto aos desmandos do governo e de sua elevada mensagem humana.

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