Facebook ou Big Brother?

Por: Heloísa Bittar Gimenes

Bem, como quase toda a população do planeta, fui contagiada pelo Facebook. É incrível, mas entre um compromisso e outro, lá estou, nutrindo minha curiosidade em saber o que está acontecendo ao meu redor, quem está on line, quais as sugestões de leituras, os comentários postados, as mensagens de otimismo, as frases jocosas, as fotos, solicitações de amizades e várias outras possibilidades que o Face oferece.

Tornei-me fã dessa rede social, pois se não fosse por ela, acho pouco provável ter tido a oportunidade de bate-papos e comentários com tantas pessoas diferentes ao mesmo tempo. Verifico minha página de ‘amigos’ e percebo que, até então, nunca tinha tido tantos amigos assim. Mas será possível ter realmente centenas de amigos?

Amigos são pessoas às quais ao longo da vida tivemos o privilégio de encontrar e, por algum motivo, nos pinça pela afinidade, simpatia e escolhemos encontra-los várias vezes. O relacionamento entre amigos acontece quando o sentimento de afeto é presente, onde há confiança entre as partes. Amizade necessita de amor, de intimidade. Amor e intimidade são requisitos preciosos, e, assim sendo, não é para qualquer um, quem dirá para as multid ões oferecidas pelo Facebook.

Corremos o risco de fazer de nossa página do Facebook um verdadeiro Big-Brother, quando perdemos a noção do que é público e do que é privado. Às vezes, sem cerimônias abrimos espaços de nossa casa, de nossa vida pessoal, de nossa relação amorosa, de nosso trabalho, para todos aqueles que têm a curiosidade em saber (e olha que são muitos hein?). Tornamo-nos vulneráveis aos outros justamente por escancararmos um espaço que deveria ser reservado. Fora isso, somos capturados por imagens e mensagens que nem sempre condizem com a realidade. E sabemos que nem tudo o que reluz é ouro!

Bem-vindo ao Facebook! É muito gostoso dar uma espiadinha nos melhores flashes! Mas é importante lembrarmos que nem tudo que eu desejo, posso; nem tudo que eu penso, escrevo; nem tudo o que eu vivo, conto. Sim, de tempos em tempos, uma nova era que inevitavelmente traz novas ferramentas e novos encontros. Mesmo assim, ainda continua valendo a máxima de antigamente: ‘Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém.’

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