Os probos e os ímprobos

Por: Chiachiri Filho

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Em 1819, ao passar pela Freguesia da Franca em direção à Vila Boa de Goiás, Carlos Augusto Oeynhausen, Governador e Capitão General da Capitania de São Paulo, solicitou ao Vigário Joaquim Martins Rodrigues uma lista dos moradores da Freguesia ( cuja jurisdição estendia-se do rio Sapucaí ao rio Grande ), com a devida qualificação da conduta moral, social e religiosa dos fregueses. A lista foi feita e encontra-se no Arquivo Público do Estado de São Paulo, nas caixas destinadas à correspondência do referido Governador e Capitão General. A relação é interessantíssima e revela a opinião do Pastor sobre as ovelhas de seu rebanho.

Vejamos, então, alguns exemplos.

No arraial da Franca encontrava-se, dentre outras, Bárbara Antunes, parda, casada ( mas, ausente o marido ), que era uma meretriz de vida escandalosa. Outra mulher, Ana M., residente no mesmo arraial, era honesta e pacífica.

Nos subúrbios do arraial, achava-se Manuel Francisco de Faria, o qual foi qualificado como homicida iroso de perversa e escandalosa vida.

Francisco Antônio Diniz Junqueira, oriundo das Minas Gerais, eleito, em 1824, o primeiro Capitão mor da Vila Franca, era um homem de probidade. Morava no bairro rural de Santo Antônio e tinha como agregado o seu genro, José Ferreira Morais, que tinha boa conduta.

No bairro do Chapadão ( atual município de Pedregulho), encontrava-se Hipólito Antônio Pinheiro, natural de Congonhas do Campo, Capitão de Ordenanças do Distrito do Rio Pardo até o Rio Grande, líder dos intrantes mineiros na sua reivindicação para a instalação da Freguesia e da Vila Franca. Era também considerado pelo Vigário como um homem de probidade. No mesmo bairro rural do Chapadão, residiam Heitor e Anselmo Ferreira de Barcelos, irmão e sobrinho do Capitão Hipólito. Heitor tinha um gênio altivo, mas era um homem de bem. Anselmo, fundador de Santa Rita do Paraíso (Igarapava ), era visto pelo Padre Joaquim como uma pessoa de más entranhas.

Na Borda da Mata, o Sargento-mor José Bastos de Oliveira vivia escandalosamente, tinha a língua perversa e não se confessava há vários anos..

No bairro do Pouso Alegre habitava Silvério Antônio de Freitas com sua língua perversa, especialmente contra o clero.

A população era agrupada em fogos, os quais se compunham do cabeça do fogo e sua família e se completavam pelos agregados e escravos. A Lista do Vigário continha 375 fogos. Alguns dos fregueses eram dados ao jogo ou à bebida. Outros eram intrigantes , refolhados ou de língua mentirosa. Porém, a grande maioria era formada por homens de bem e pacíficos.

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