Conceitos muito pessoais

Por: Everton de Paula

Chico Franco

O amigo e acadêmico Luiz Cruz de Oliveira me presenteia com um exemplar de sua última criação literária: a obra Chico Franco, prefaciada integralmente por Sonia Machiavelli.

Cruz não presenteou somente a mim, mas a todos os francanos que prezam a história de sua cidade. O autor nos dá notável exemplo do agir de um puro memorialista, longe do ser o saudosista que só vê no passado os bons momentos que desejamos para o presente. O memorialista Cruz remete o leitor ao cenário real de tempos idos da velha Franca do Imperador, do capim mimoso, das três colinas. E assim fazendo, permite-nos conhecer usos, costumes, momentos, monumentos, personagens que fizeram a história de nossa cidade, num passado que, muitas vezes,confunde-se com o próprio passado do autor. Vai além: busca com esse fazer, de forma intensa e honesta, o convite a que não esqueçamos os pilares de nossas conquistas, coletivas e individuais, neste canto nordeste do estado de São Paulo.

Obrigado, Cruz, pela delicadeza do gesto e da palavra.

Definitivamente, não há mais como relatar a história da literatura francana, de todos os tempos, sem incluir Luiz Cruz de Oliveira, o professor de vida que nunca se cansou de levar a palavra falada e escrita a quem dela necessitasse, ou para o aprimoramento da língua pátria ou para o sossego da alma.

Parabéns, Cruz, pela opção de exercitar a escrita e a oratória de forma empática, acertando em cheio o coração dessa gente francana.

O lançamento do livro Chico Franco se dará hoje, sábado, das 10h30 às 12h30, no Almanaque Livraria & Sebo, na Rua Dr. Júlio Cardoso, 2.072.

Falando em empatia
Você já reparou? Nós tentamos ser mais simpáticos e esquecemo-nos de ser empáticos. Parece que não anda funcionando. Querer ser simpático é excesso de preocupação consigo mesmo, afinal “o que os outros vão pensar de mim se eu agir de tal forma, se eu disser algo contrário... Por isso eu procuro agir da forma mais simpática possível.”

A empatia vai em outra direção. É altruísta. Busca “entrar” na visão de mundo do outro e, a partir desse recurso, elabora um diálogo assertivo (mantendo firme seu pensamento, sua opinião), mas dando largo espaço à opinião alheira. É a busca da harmonia, da afinidade com o interlocutor. Veja: eu não quero um médico simpático, mas que trate a mim de forma eficiente e eficaz, capaz mesmo de levar-me à cura daquilo que me faz sofrer. Eu não quero um professor simpático, mas sim um eficiente agente de informação sobre a ciência, as artes, a tecnologia, a cultura em geral. Dispenso o político simpático (como os temos!), ao mesmo tempo em que aprecio aquele que trabalha verdadeiramente em prol do bem-estar dos cidadãos.

É isto: simpatia é excesso de “eu”; empatia é preocupação com o bem-estar do outro.

Por que respeito um maçom
Na segunda quinzena do mês passado, a Câmara Municipal de Franca realizou, em noite de gala, homenagem aos maçons francanos pelo seu dia (20 de agosto). A presença maciça no auditório demonstrou a força da maçonaria de nossa cidade. Foi mais uma demonstração de respeito a esses homens livres e de bons costumes.

Com efeito, o maçom se destaca na sociedade não apenas pelo rigor e cuidado na execução dos seus deveres como cidadão, como pai de família, como profissional, mas também pelos atos que vão muito além de seus deveres cotidianos. O maçom, de forma elegante e discreta, ergue e dirige uma creche, preside uma entidade filantrópica, financia estudos de inúmeros alunos universitários, está presente nas casas assistenciais, ao mesmo tempo em que ocupa cargos de destaque na sociedade, nos cenários da promotoria pública, da política, da segurança, da saúde, dos negócios, da indústria, do fomento às artes e cultura... E o faz sem sectarismo político ou religioso. Adota sua religião (há, sim, maçons católicos, maçons espíritas, maçons evangélicos) e respeita as demais; defende sua opinião de forma assertiva, mas “dá a vida” para que todos tenham vez e voz entre seus contemporâneos. Nos países cristãos, não há uma única reunião maçônica sem a presença da Bíblia, a que chamam de o Livro da Lei. Nunca se contenta apenas em ser eficiente nas relações (fazer tudo bem feito), conquanto busque a eficácia de suas ações (não descansar enquanto não obtiver resultados positivos). Jamais esmorece.

Existe ainda o ranço de quem duvida dessas qualidades. Em pleno século XXI pessoas há que enxergam na maçonaria a prática do ocultismo, da bruxaria, do culto ao demônio. É risível esta demonstração de ignorância. A maçonaria não é secreta é discreta. Não crê em bruxos e desdenha o demoníaco, porque crê num ente supremo, em Deus, a quem denomina Grande Arquiteto do Universo.

É filosófica, é filantrópica, é progressista. Preza seus princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, com três objetivos explícitos: investigação da verdade, exame da moral e prática das virtudes.

Everton de Paula, acadêmico e editor. Escreve para o Comércio há 43 anos

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