Arami

Por: Janaina Leão

As vezes um amor leva a outro. Mudei de esquina, atravessei a rua na diagonal me opondo a todos os ensinamentos peremptórios e ancestrais dos que sobreviveram aos amores proibidos. Desobedeci à regra fundamental dos ditadores que é ser duro: consigo e com os outros. E não fui atropelada. Fui embalada num colo macio, docinho como voz de soprano cantando MPB. Bonita como menina/ fruta nova no pé. Sedutora como dançarina de Tango quando dança por prazer. Boca infernal- carmim. Já sabe o que é o Amor e a Petite Mort. No corpo dela, Arami: nuvem branquinha com marcas / constelações que eu desejo emendar num traço molhado com a língua ansiosa por saber: qual o sabor da atriz? Devoro milímetros. Às vezes um amor leva a outro. Na próxima esquina à esquerda tem exatamente o que eu quero.
 
Janaina Leão, psicóloga

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