Presente de Mãe

Por: Inerita Alcantara

Ela se lembra daquele dia à saída do hospital. A enfermeira trazendo-lhe   um serzinho enrolado  como um charuto no fofo cobertorzinho com vira-manta bordada: “Toma, agora é você quem cuida! Boa sorte!”.
 
A moça, inocente de vida, nada para oferecer, pegou nos braços o recém-nascido. Sentiu-se flutuar!  Não sabia se por felicidade genuína ou se por  efeito   do  enorme senso de  responsabilidade que  a  invadia,  tudo acompanhado de  descomunal sentimento de  confusa impotência! Medo!!!
 
Tremeu! Apertou suavemente o bebê ao peito, contemplou–lhe o rostinho, as mãozinhas sempre próximas do queixo tentando escaparem-se do agasalho, como que já tateando o mundo...  Sorriu-lhe. E ela, ao erguer a face para despedir-se da enfermeira, viu que de dentro de si erguia-se também  outro ser.  Era uma  loba,  uma tigresa, uma  leoa?! A  Mulher!  
 
Ela  dava à luz um filho, e o filho  dava a ela  todo o Universo!

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