Namorados I

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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“Como si se pudiese elegir en el amor, como si no fuera un rayo que te parte los huesos y te deja estaqueado en la mitad del patio.” A frase de Cortázar ilustra o encontro faiscante desses dois. Tão diferentes! Ela criada entre almofadas, pérolas,  rendas,  cuidados e carinhos; ele criado na rua, sem eira nem beira, muito menos algibeira. Ela com amigos leais, mas selecionados, escolhidos, da mesma casta. Ele, acompanhado por bando fiel, arrebanhados nos becos, nas esquinas, nas ruas. Ela, com nome e sobrenome. Ele, pobretão, de dar dó. Boêmio, experiente, vivido. Como se aproximaram? Acaso, puro acaso. Mas o tal raio caiu em suas cabeças, rompeu seus ossos e os deixou apaixonados um pelo outro. Houve corrente contra. Não pode dar certo, disseram. Vocês são óleo e água, avisaram, como se eles não soubessem. O difícil foi apostar se ele se adaptaria às rendas e sedas dela ou se ela se submeteria à vida de plebéia, o resto da vida a lavar, passar, cozinhar. Ficaram juntos, ele cedeu, ela cedeu. São felizes, apesar das diferenças. Ah! Se a vida imitasse a arte...   
 
(Lúcia H. M. Brigagão)

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