NAMORADOS III

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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ShreK e Fiona nunca estiveram juntos na infância. Nunca brincaram nas mesmas rodas. Suas famílias tinham origens diferentes.  Foram para escolas distantes e de orientações talvez conflitantes, quem sabe? Ela debutou em baile ao qual ele não teve entrada. Nem foi convidado. Ela teve admiradores: alguns interessados em seus bens e títulos – que eram muitos; ele teve outras namoradas, atraídas por encantos que só mesmo Fiona para dizer.  Ela aprendeu maneiras finas e era delicada como convinha às moças casadoiras, de boas famílias e educadas por babás rigorosas. Shrek participava de concurso de arremesso de sementes de laranja e de cuspe à distância. Aprendeu a nadar no córrego, mas acha mesmo que foi o lambari que engoliu vivo, que o fez campeão.  Ganhou medalhas e títulos em outros concursos que envolviam cheiros e volumes e se orgulhava deles até encontrar Fiona. Ninguém entende o que um viu no outro. Desde o primeiro encontro, porém,  o encantamento os transformou: ela ficou parecida com ele  e  ele ganhou olhar doce e apaixonado. O amor, de fato, não tem lógica e, com certeza, transforma.  
 
(Lúcia H. M. Brigagão)

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