E não foi a sua vez

Por: Farisa Moherdaui

Por algum tempo, ela precisou ficar afastada das aulas de hidroginástica; do contato com as amigas de turma, do bate papo, das fofocas, além da água gostosa, quentinha. E os exercícios então, aqueles que levavam para longe as dores nas pernas, nos joelhos, nos braços, ou seja, dores nas “juntas”, todas juntas.
 
Mas naquela manhã ela pôde voltar à academia com a certeza de que todas sentiam a sua falta ali onde era tão querida. Comprou até o uniforme novo: maiô, touca, chinelos havaianas, toalha felpuda, um luxo só.
 
A academia reformada, bonita parecendo estar à espera da sua volta. E alegre foi logo cumprimentando: - Oi, gente, estou aqui de novo com saudades e a certeza de que também sentiram a minha falta.
 
Entra no salão onde vê as amigas ao redor de uma mesa com flores, salgadinhos, doces, refrigerantes, um bolo decorado e bonito, além de um ramalhete sobre a mesa. Pensando que tudo fosse pela sua volta, agradece:
 
- Amigas estou feliz com tanta demonstração de carinho e amizade. Muito obrigada e saibam que esse dia sempre será lembrado. E continuando os agradecimentos até que uma das amigas educadamente pode explicar.
 
- Esse momento especial você também merece, mas hoje, na verdade, o dia está reservado para Dorotéia, que faz aniversário. E o sonoro “Parabéns a você”, seguido de “Pique pique” e abraços foram todos para Dorotéia que cortando o bolo ofereceu a primeira fatia àquela de rosto vermelho e sorriso amarelo. O bolo ela não soube se de chocolate, fubá ou cenoura, mas acha mesmo que de limão e bem azedo.
 
O ramalhete foi entregue a Dorotéia e a flor que  ficou sobre a mesa alguém lhe ofereceu. Também não soube dizer se a flor era vermelha, branca ou amarela.
 
Naquele momento, o seu maior desejo foi o de se jogar naquela piscina de água quentinha, num valente mergulho, e voltar à tona só quando estivesse só.
 
 
Farisa Moherdaui, professora 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras