Graças, Amigos!

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Ventos são imprevisíveis. Algumas vezes, vêm para fustigar, ferir, demolir, aniquilar; outras, para acarinhar, alegrar, reerguer, curar. Os amigos são trazidos por esta última linhagem de ar viajante: a benfazeja, a balsâmica.
 
E que espécie de ares transportaria o agradecimento? Quais brisas cantariam gracias aos que chegam, portadores de abraços, flores, cartões, falas honrosas, gentileza?
 
Na última terça-feira, ventos balsâmicos me envolveram: os prazenteiros, desejáveis, reconstrutores ventos da amizade. Confrades - mais do que isso, amigos de muitos anos - da Academia Francana de Letras, aqui estiveram. Movidos pelo espírito da amabilidade, embarcados no sopro da cortesia e do amor à palavra literária, que nos une e alimenta, eles vieram. E me desculparam falhas, deslizes - lacunas abertas e preenchidas pela emoção do reencontro, porque o coração, diferentemente do cérebro, age por impulso amoroso. Assim, o meu, naquele momento, calou as palavras de gratidão a serem formalmente articuladas, porque elas se diziam na espontânea alegria do olhar, e os poemas a serem declamados, porque a poesia estava ali, viva, à minha frente (amizade é poesia); deixou de lado muitas normas protocolares, que cederam espaço ao coloquial encontro dos que simplesmente se querem bem. Os bafejos de uma alma grata, honrada por tais presenças, estes vinham à tona através de vocábulos entrecortados de sorrisos e brilhos de olhos, mas, nem por isso, menos íntegros e genuínos.
 
Uma reunião breve (que pena!) e inesquecível, naturalmente integrada à simplicidade ambiente pela singeleza dos anfitriões, radiantes e comovidos, e aquecida pelo precioso estar-entre-amigos. 
 
Os ventos da dor, das inquietações, limitações e impossibilidades ficaram de fora, do outro lado das paredes e das vidraças, incapazes, distantes de nós. Os ares de dentro, cálidos, salutares, revigorantes - entre palavras ditas e silenciadas, entre gestos e intenções - cantavam odes à Amizade. 
 
 
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
 
 

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