A arte de perder

Por: Elisabeth Bishop

A arte de perder não é nenhum mistério; 
Tantas coisas contém em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. 
Aceite, austero, 
A chave perdida, a hora gasta bestamente. 
A arte de perder não é nenhum mistério. 
Depois perca mais rápido, 
com mais critério: 
Lugares, nomes, a escala subsequente
Da viagem não feita. 
Nada disso é sério. 
Perdi o relógio de mamãe. 
Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes. 
A arte de perder não é nenhum mistério. 
Perdi duas cidades lindas. 
E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente. 
Tenho saudade deles. 
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo)
não muda nada. 
Pois é evidente que a arte de perder
não chega a ser mistério 
por muito que pareça (Escreve!) muito sério
 
 
Elisabeth Bishop, poeta  norte-americana (1911- 1979) 
 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras