Centenária árvore francana

Por: Eny Miranda

Um dia, alguém planta uma semente. Nesse mesmo dia, muitos lançam ao solo sementes várias. E em vários dias e semanas e meses e anos, mil semeadores fundam promessas de vida em diferentes pontos do planeta.
 
Há os que cuidam de assentá-las em terra fértil e, ainda assim, preocupam-se com sua adubação e rega, zelando para que desabrochem saudáveis. Há os que as deitam em terra seca e esperam por chuvas e ventos favoráveis ao seu desenvolvimento. Alguns há, ainda, - em menor número - que acompanham vida afora cada passo de sua cria, livrando-a das pragas, podando seus excessos, amparando-a em suas fragilidades... Assim, algumas delas crescem e vivem dilatados anos; muitas outras, porém, sucumbem aos desafios dos primeiros meses ou nem chegam a abrolhar. 
 
Há exatos cem anos, uma semente especial foi assentada neste francano terreno-leito de jazidas - semente de letras e notícias, promessa de árvore jornalística de frutificação cotidiana. Contudo, mesmo uma boa matriz não é capaz de gerar, diariamente, frutos maduros: trabalho complexo, muito acima da produção natural. Fazer nascer um bom jornal requer, além da fertilidade, algo mais, fora dos limites das simples célula e celulose; no entanto, ainda ligado à predisposição natural: uma espécie de dom, de caráter hereditário, familiar, sim, mas ligado às humanas gerações. E aqui entram os Correa Neves, inseminando sua verve jornalística e literária nesta matriz há cem anos semeada.
 
Aquele primeiro grão germinou. O broto cresceu, fez-se adulto, e a árvore, de boa estirpe, floriu. Cuidada, podada, fertilizada - e hibridizada - por estes artífices-jardineiros das letras e da notícia, que a cercam de criatividade e zelos, ela vem frutificando, dia após dia, ano após ano, vigorosa, em clima de juventude aliada a sólida experiência. Jornal que se preocupa com a modernidade, sem perder a memória, cuida de manter o elo com suas raízes, de aprofundá-las, nelas alicerçando e erguendo seu sonho, seus feitos e sua história, esta, que vai muito além da notícia: os ramos alcançam horizontes outros, os nortes da cultura da educação e da arte.
 
O Comércio da Franca é, pois, raiz fincada em solo francano, tronco robusto e copa frondosa e frutuosa - árvore plena, a completar um século de crescimento e experiente rejuvenescimento.
 
 
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
 

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