Pingos e riscos

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Diziam os antigos que, para um bom entendedor, “um pingo e um risco é Francisco”.
 
Aceita a premissa, fica fácil entender o porquê da constância e da pujança da literatura francana. Elas se explicam pela comunhão de tantos pingos e riscos que se acumularam ao longo de sua história.
 
Se, até metade do século passado, só individualidades pingaram romances e livros de poesias de quando em quando, após a década de 1950, todos os movimentos se aceleraram no pé e no topo de nossas colinas literárias.
 
Dante Finatti risca o horizonte, organizando a primeira Antologia dos poetas da terra. Os jornais francanos começam a acolher, a publicar, a divulgar poetas e cronistas locais. A Fundação Municipal “Mário de Andrade” promove concursos de romances, de livros de contos, de poemas, trazendo para comporem o júri escritores paulistanos do porte de Roberto Fontes Gomes, Caio Porfírio, Rossine Camargo Guarnieri. Promovem-se concursos de peças de teatro que são encenadas aqui e longe daqui. 
 
O Grupo Veredas publica mensalmente vinte e uma revistas divulgando para distantes lugares a literatura que nesta terra se produzia. 
 
O Laboratório das Artes realiza, durante um ano, concurso de poesia falada e faz publicar livros. Aconteceram as “Semana do Escritor Francano” e as “Feira do Escritor Francano”. 
 
O jornal Comércio da Franca cria seu suplemento literário – hoje Nossas Letras – que permanece ativo há vinte e três anos.
 
Editora especializada na edição de livros de ficção instala-se em Franca. Escritores de Ribeirão Preto e demais cidades da região começam a publicar em Franca. Caio Porfírio Carneiro viaja de São Paulo a Franca para aqui editar a terceira edição de seu livro Trapiá, cuja quarta edição foi bancada pela Universidade do Ceará.
 
Maria de Lourdes Alba seguiu os passos de Caio, publicou aqui na Ribeirão Gráfica Editora o seu livro de poesias Melodia Íntima. E não é que a poetisa tem de viajar à Itália, para receber em solenidade na igreja de S.Giovanni Bosco, em Verzella – Castiglione, na Sicília –  por ter vencido o concurso Antonio Filoteo Olmodei – Pensieri in versi, na categoria poesia em língua portuguesa?
 
Os antigos tinham razão: um pingo mais um risco pode significar Francisco. 
 
A observação rápida sobre a nossa história literária revela centenas de pingos, centenas de riscos. Seu conjunto ensina a todo bom entendedor: aqui se fez e aqui se faz literatura rica e sólida.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, autor de 23 livros
 
 

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