Quando se cai em um sonho

Por: Breno Carrijo

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Tem que sentir o que vem do coração:
os dedos afinados a escreverem sem distinção
cada uma das palavras que saem da boca do barulho;
das memórias soturnas a se misturarem feito baralho.
No sonho, te aceno
como quem cai da lua; sugados por uma força
a levar-nos  em direções contrárias.

Te olho três vezes e me despeço, 
como quem torce o nariz dizendo nunca mais voltar. 
Enigmáticos, meus cabelos se enrodilham  numa dança cósmica.
Estou sem o capacete espacial,
à deriva no espaço sideral.
À deriva na vida, 
nesse sonho de morrer todos os dias. 
Nessa esperança de que tudo passe
feito a falsa visão de uma estrela cadente. 
Feito uma onda sonora a não encontrar retransmissores.
Sem torres: perdida para sempre no vácuo das tuas mentiras
De onde ainda te olho por  três vezes 
                                                                             e nunca mais.

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