Maio, mês do Trabalho

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Na região de Coalfields Welsh, País de Gales, concentra-se  a maioria das minas de carvão do Reino Unido. O processo de mineração ainda hoje exige dos seus profissionais esforço muito grande. Todavia,  no passado e durante os primeiros anos do século XX,  tal lida ultrapassava os limites do perigo e da insalubridade. Chegava a ser desumana. Para extrair o carvão era preciso descer centenas de metros  abaixo da terra. Lá embaixo, enfrentando permanentemente risco de explosão e quase nenhuma visibilidade, estavam mineiros mais velhos e mais novos. Inclusive crianças de até cinco anos, contratadas pois alguns locais eram inalcançáveis para pessoas de porte maior. Além das crianças, usavam o trabalho de animais de carga que, uma vez a cada dois anos, eram levados à superfície. Acostumados à escuridão, esses  animais não suportavam a claridade e, para que não ficassem cegos, colocavam-lhes  vendas sobre seus olhos ao levá-los à claridade.  Quase todas as cidades ou aldeias daquela região carbonífera tinham sua própria mina de carvão, que além da mão de obra infantil, também gerava empregos para as mulheres. Subempregos para todos, mas a atividade era o principal gerador de economia da época por aqueles lados. Castigos corporais eram freqüentes e a chibata era usada não para punir, mas principalmente para manter o trabalhador acordado durante o extenso expediente que chegava a 14 horas diárias.  Era tão grande o desrespeito pela vida de perdas humanas que, quando 146 homens e meninos perderam suas vidas vitimados por terrível  explosão, o destaque do jornal dava ênfase para a “grave perda financeira sofrida pelo proprietário da mina”. Lamentava igualmente, e com destaque, a morte de 28 pôneis.  

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