somos todos e somos nada.

Por: Mirto Felipim

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(para aquele que nasceu já sendo ocaso, que saudade!)

 ... então descobri que não sou apenas um. somos vários, somos todos e somos nada. universos fechados, medrosos, cagões. pais, mães, tios, avós, todos foram nós e todos seremos eles. não basta rompermos com tudo pelos que virão. temos de romper conosco, porque os que viriam já chegaram. estamos aqui. e os que dizem construir um futuro para nós, querem que vivamos o futuro deles, novamente medrosos, rancorosos, ambiciosos, invejosos, perniciosos, rastejantes, mesquinhos, tudo em nome dos filhos, guiado pela sagrada família. caralho que é em nome dos filhos, é em nome da armadura que eles inventaram para se blindarem da realidade dentro de suas casas, dentro de suas vidas, que somos nós. descobri que também sou um pequeno-burguês, citando Marx, vomitando Sartre e cagando Fidel. gosto das coisas que o dinheiro pode comprar e também daquelas que ele não pode. vomitando princípios e comprando metas, julgo estar emparedando quem me reprime. mas não vou ficar me culpando por isso. o que quero não é o direito de comprar e sim o de não ser comprado, mas estou sempre à venda. há pouco tempo isso me foi revelado. tudo na minha vida tem pouco tempo. tenho dezenove anos e nada do que descobri tem muito tempo. mas, que merda, as coisas que descobri, há pouco tempo, são já todas velhas, vencidas, contaminadas, decrépitas e estupidamente atuais, sendo a mim servidas em papel laminado, embrulhadas como presente. 

não o meu presente!
 
mereço um pouco do meu futuro. deixem-me, em paz, encontrá-lo.

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