Joana

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Na foto,  Joanna, em dezembro de 1930.  A dedicatória, assinada por ela, é para Ritinha e Joaquim,  primos. O motivo da foto é a comemoração da formatura de Professora de Joanninha, como sempre foi chamada pela família. A menina ao lado de Joanninha é Gaby, filha de Antônio e Ismênia, tios de Joanninha.  Está ali, porque naquela época, quando da festa de formatura de professorandas, costumava-se convidar alguma garotinha para ser dama de honra da formanda.   Ser Professora em 1930 equivalia, em importância, a quaisquer outras profissões liberais. Daí, não raro, doutores formados em Medicina, Direito, Engenharia deixarem suas habilitações para se tornarem professores. Joanna pertencia à parte abonada da família, e todo o aparato que a circunda na foto – flores, o vestido de renda e cetim, as meias de seda, o sapato de cetim, o colar de pérolas, constituem sobejas provas disso. Inclusive o fotógrafo italiano, de nome Naghettini, que só fotografava celebridades, contam. Joanninha, mais tarde, se casou com rico advogado de Belo Horizonte e teve dois filhos que ela chamou Rita Adelaide e Rodrigo Otávio. Embora muito pouco mais velhos, levavam para os primos mais novos e caipiras, nos encontros em Uberlândia nas férias de julho, as informações de como era a vida na capital mineira,  como era conviver com Juscelino KubtischeK, dona Sara e as filhas. Crianças e jovens ficavam boquiabertos quando eles contavam que, ir ao cinema com as filhas de Juscelino, equivalia a intrincada operação.  Os donos dos locais recebiam telefonema à guisa de aviso de que elas estariam lá para a sessão da noite, que normalmente começaria  às  sete,  mas que atrasava o quanto precisasse para aguardar a chegada das duas princesas, que eram muito feias, espécie de Anastácia e Drizela, na opinião dos irmãos. Rita Adelaide, ainda adolescente, certa ocasião ficou muito doente. Hoje, analisando os distúrbios alimentares que apresentava, os familiares são propensos a acreditar que ela sofreu anorexia e bulimia, naquela época. Joanninha foi professora a vida toda. Rita Adelaide se recuperou, casou teve filhos. Rodrigo Otávio se tornou advogado, como seu avô e pai. Nunca mais encontraram os primos caipiras em Uberlândia.  E a foto da Joanninha ficou, por anos, no porta-retratos da casa dos primos pobres a quem ela dedicou a lembrança. 

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