O estranho em mim

Por: Denise Lopes Rosado Antonio

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O Estranho em mim (Alemanha, 2008), dirigido pela cineasta alemã Emily Atef, levou o prêmio de melhor filme e melhor atriz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo naquele ano. 

O Filme nos apresenta de modo delicado à dolorosa experiência de uma mãe saudável diante da complexidade emocional despertada pelo nascimento de um filho. 
 
No início do filme Rebecca (Susanne Wolff), a protagonista, na faixa de 30 anos, está grávida. Ela é uma mulher tranquila, vive um casamento amoroso com Julian (Johann von Bülow), tem prazer em seu trabalho e está feliz à espera de seu primeiro filho.  As circunstâncias nos levam a crer que o nascimento do filho irá transcorrer tranquilamente, que veremos as cenas clássicas da chegada de um bebê e a relação amorosa entre mãe e filho.
 
“Nós todos crescemos com esta noção de que uma mãe irá amar o recém-nascido instintivamente e incondicionalmente. Há algo quase sagrado nessa imagem idealizada da mãe”, comenta Emily Atef.
 
A tranquilidade e a idealização desaparecem a partir do momento em que Rebecca experimenta as dores do parto. O nascimento ocorre, o filho é apresentado à mãe, porém ela já está imersa num estado mental inesperado. Num estado mental de indiferença e distanciamento. Rebecca não consegue receber seu bebê com aquele amor esperado por ela e por todos nós. Rebecca experimenta sentimentos de extrema estranheza em relação ao filho.
 
Segundo Winnicott (psicanalista inglês), quando o bebê nasce e a mãe se vincula a ele, ela se identifica com seu estado de dependência e desamparo. Se nenhum aspecto da mãe for sentido como uno ao bebê, se não existir nenhuma identificação dela para com ele, o bebê será vivenciado como sendo um “objeto” estranho. 
 
O filme transcorre sob esse clima de estranheza entre mãe e bebê, entre marido e mulher, mostrando como as relações familiares foram afetadas por esse estado mental da Rebecca.  Ele nos apresenta ao que a psiquiatria denomina “depressão pós-parto”.
 
Essa obra de Atef é perturbadora ao narrar as angústias profundas a que qualquer um de nós está sujeito a ser lançado, porém é um filme que consegue criar esperanças ao nos mostrar, com delicadeza, a importância dos cuidados de profissionais da saúde com a mãe, com o bebê e com o casal.
 
O que acontece com a mente dessa mãe?  Que tipo de dificuldades ou transtornos esse bebê experimenta diante das falhas dos cuidados maternos? Quais sãos as possíveis chaves para o acolhimento desse estado de mente da mãe, do pai, do bebê e das relações entre eles? Qual a importância da psicanálise na compreensão desse tipo de experiência? Estes e muitos outros questionamentos estarão presentes no debate que acontecerá após a exibição do filme.
 
Compareçam!

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