A ARTE DE ATALIE

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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 Eu me confesso. Confesso-me não só pecador, mas completamente ignorante na análise das Artes Plásticas.

Isso não me impede de admirá-las na medida da minha rústica sensibilidade.

Há umas três décadas, a Atalie convidou para visita ao Laboratório das Artes, onde ela expunha uma série de quadros, todos explorando idêntica temática: o trabalho em Franca, notadamente o trabalho com couro, o labor cotidiano no interior dos curtumes e das fábricas de calçados.

Naquele tempo, minha cegueira e ignorância eram ainda maiores. Calei-me entre constrangido e instigado diante daquelas imagens que, então, apenas me sugeriam aqueles que, eu sabia, se exauriam durante oito, dez horas seguidas, operando caldeiras, cortando solas e vaquetas, concorrendo com velozes esteiras.

Os anos passaram, vieram outras exposições, sucederam-se os temas: o bóia-fria, os teares, as janelas, as estações de estrada-de-ferro...

O tempo abandonou a Mogiana, passou a deslocar-se de avião.

O ontem voou também.

Hoje são quarenta anos que pareciam sumidos entre nuvens, mas que reencontro nas páginas do livro que me traz a trajetória de 40 anos de arte da amiga Atalie.

Abro a janela do tempo e, a cada página, sinto que um sopro de leveza e de paz me traz o olhar agudo de quem sabe olhar a vida e suas vicissitudes, evolvê-las de Beleza e assim tocar o coração humano.

Sinto-me um pouquinho menos ignorante. Obrigado, Atalie.

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