Père Lachaise

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Cemitérios não costumam ser incluídos entre sugestões de passeios turísticos. Mas, em se tratando de Paris,  além da Tour Eiffel e Catedral de Notre Dame há que se sugerir a visita ao Cemitério  do Père Lachaise, passeio que une beleza plástica da arte tumular,  tristeza pelos trágicos acontecimentos políticos que ali se desenrolaram , e muita emoção diante das histórias de vidas que são evocadas quando diante dos locais onde foram sepultados  Abelardo e Heloísa, Oscar Wilde, La Fontaine, Chopin, Isadora Duncan, Jim Morrison, Gertrude Stein entre outros setenta mil nomes, famosos e desconhecidos. Naquele ano da década de 70, época em que foi tirada a foto, curiosamente apenas dois túmulos tinham flores, a mostrar respeito e importância de seus ocupantes.  Eram o de Edith Piaf falecida em 1963 e ainda venerada pelos franceses, e o de Alan Kardec que, nascido em Lyon em 3 de outubro de 1804, morreu em Paris no 31 de março de 1869. É, ainda hoje,  um dos mais visitados túmulos do cemitério por espíritas e não espíritas, que se espantam com a energia do local.  É único em sua aparência,   que remete à arte da região de seu nascimento, pois feito de pedras também típicas da Auvérnia Ródano- Alpes. O busto de Allan Kardec, em bronze, está protegido pela estrutura de rochas e, no frontispício, cravada a frase que sintetiza a Doutrina Espírita: “Naître, mourir, renaître encore et progresser sans cesse, telle est la loi.” Ou “Nascer, morrer, renascer novamente e progredir sem cessar, esta é a lei.”.  O educador, autor e tradutor francês é considerado Codificador do Espiritismo, ou Doutrina Espírita,  foi discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi e um dos pioneiros da pesquisa científica sobre fenômenos paranormais.  Chamava-se Hyppolyte Léon Dinizard Rivail e adotou o pseudônimo Alan Kardec, para diferenciação de seus trabalhos pedagógicos e aqueles da Codificação Espírita. O Livro dos Médiuns, livro lançado em 1861 e que apresenta seu trabalho,  foi reeditado milhares de vezes, e é leitura obrigatória para iniciantes e praticantes do espiritismo. 

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