ÁGUAS

Por: Luiz Cruz de Oliveira

341798

O pai, Vadico, e a mãe, Sebastiana, não sabiam traduzir sequer uma das letras do alfabeto. O conhecimento intuitivo, no entanto, fez sábio aquele casal.

Primeiramente eles aspergiram água na testa da criança, depois banharam seu corpo nas águas puras do Córrego das Pedras.
 
Assim que puderam, os pais viajaram até o pé de colinas. Ali, aspergiram água na testa do menino e mergulharam seu corpo nas puras águas do Córrego dos Bagres.
 
Depois, por muito tempo, o tempo caminhou de mãos dadas com o menino purificado nas águas e na fé. Atravessaram pontes, atravessaram rios grandes e estreitos, rios santos e não santos.
Hoje, um homem velho senta-se numa pinguela e se emociona, ao ver as caudalosas águas do Córrego das Pedras e do Córrego dos Bagres.
 
As águas molham todas as margens e encharcam todas as suas memórias.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras