Desiderata

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Palavra latina que significa “coisas desejadas”, é título de poema muito conhecido, conselhos sobre a busca da felicidade na vida, publicado pela primeira vez em 1948. Max Ehrmann, autor, foi advogado e poeta. Se “filho feio não tem pai” segundo antigo ditado corrente em nossa cultura, a paternidade de filhos bonitos é disputadíssima. Por volta de 1959, o reverendo Frederick Kates, pároco da Igreja Saint Paul, em Baltimore, usou o poema numa coleção de devocionários copliados para sua congregação. Diz a lenda que anos antes ele havia encontrado cópia da Desiderata, em cujo cabeçalho figurava nome, localização e ano da fundação da igreja “Old St. Paul´s Church, Baltimore”, 1692, o que relacionou equivocadamente o poema à igreja. Nos anos 60 atribuíam-se muitas origens ao poema, já bastante conhecido mundialmente. Foi usado pelo movimento hippie, impresso em posters como símbolo da Paz, e a versão falada, acompanhada por música típica da atmosfera hippie psicodélica, em 1972 foi top de vendas nos Estados Unidos e no Reino Unido. Em 2010, depois de muitas batalhas judiciais para reconhecimento da autoria do poema ganhas pela família do poeta, em Terre Haute (Indiana), local de nascimento do autor, foi inaugurada estátua de bronze de Max Ehrmann, com reprodução de seus famosos, simples e desejáveis conselhos para alcançar a Felicidade.

 

Desiderata

 

(Max Ehrmann)


Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa, e lembre-se da paz que possa existir no silêncio. Tanto que possível, sem humilhar-se, viva em harmonia com todos os que o cercam. 

Fale a sua verdade mansa e calmamente e ouça as dos outros, mesmo as dos insensatos e ignorantes: eles também têm suas histórias. Evite, porém, as pessoas agressivas, perturbadas e confusas, que afligem nosso espírito.

 

Se você se comparar com os outros, poderá se tornar presunçoso ou ressentido, pois sempre encontrará alguém inferior ou superior a você. Viva intensamente o que puder realizar. 

Mantenha-se interessado em seu trabalho, mesmo que humilde: ele é o que de real existe ao longo de todo tempo. Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não caia na descrença, pois a virtude existirá sempre. 

Você é filho do Universo, irmão das Estrelas e Árvores. Você merece estar aqui e, mesmo que você não possa perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino. Observe: muita gente luta por altos ideais e em toda parte a vida está cheia de heroísmos. 

Seja fiel a você mesmo e, sobretudo, não simule afeição nem seja descrente do Amor que, mesmo diante de tanta aridez e desencanto, mostra-se tão perene quanto a relva. 

Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, esteja atento e aberto aos impulsos inovadores da juventude, porém, ao envelhecer, abra mão dos seus prazeres.


Alimente a força do Espírito que o protegerá no infortúnio inesperado, mas não se desespere com perigos imaginários: muitos temores nascem do cansaço e da solidão. 

A despeito de uma disciplina rigorosa, seja gentil para consigo mesmo. Esteja em paz com Deus, como quer que você O conceba e, quaisquer sejam seus trabalhos e aspirações, na fatigante jornada da vida, mantenha-se em paz com sua própria alma. 

Lembre-se: acima da falsidade, dos desencantos e agruras, o mundo ainda é bonito.

 

Seja prudente. Esforce-se. Faça tudo para ser feliz.

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