Silêncio, Moon River e Consciência

Por: Angela Gasparetto

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Sentada na penumbra do quarto, sinto o vento despentear os meus cabelos.

Sorrio complacente e parada fico ouvindo este silêncio de começo de dia.
 
Ouço o farfalhar das folhas nas árvores e ao longe o canto dos bem-te-vis, estes que visitam as árvores do vizinho todos os dias.
 
Sinto também o perfume das madressilvas que de mansinho faz seu cumprimento matutino diário. 
 
Fecho os olhos. Este dia começou como todos os outros. Apenas agora aqui parada, ouço uma canção imaginária. 
 
Sinto uma sonolência diferente, uma paz reconfortante e uma sólida consciência de mim mesma.  
O despertador analógico, escolhido justamente por isto, faz os seu incessante “tic-tac”. 
 
Eu descobri que ele marca horas mais suaves do que os digitais. Marca horas misturadas com o amor de outrora.
 
Devagarinho eu começo a ouvir o barulho de uma água fervendo na chaleira e sinto o perfume do café de todos os dias.  
 
Aliado a isso, ouço também passos que caminham surdamente na casa.
 
Fecho novamente os olhos. 
 
A música imaginária continua na minha mente. 
 
Lentamente vou distinguindo qual seria esta música e com um sorriso agora todo aberto, descubro que  é “Moon River”. Aquela mesma do filme “Bonequinha de Luxo” com Audrey Hepburn. 
 
Linda música! E linda Audrey!
 
Então os passos na casa vão ficando cada vez mais nítidos e próximos da porta do meu quarto.
 
De repente ouço um toque e a palavra meio gritada de todos os dias: “CAFÉ!” Agora os passos vão sumindo  no corredor.
 
Moon River parou de repente e fui arrancada bruscamente daquele gostoso torpor que eu estava mergulhada.
 
A música se foi, mas aquela nova consciência de mim mesma como mulher, está permaneceu. 
 
Feliz, levantei-me e fui tomar café.

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