O tempo não linear

Por: Naira Leite

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Muitos devem ter sentido uma sensação estranha ao assistir o filme A Chegada (2016), estrelado por Amy Adams. A questão principal de quebra da linearidade do longa, tanto do enredo quanto dos personagens, gerava uma angústia do público quanto à compreensão de sua linguagem. Porém, no final, o espectador descobre: a linguagem assim como o tempo dos aliens não era linear. Ou seja, o tempo não tinha direção e isso explica muita coisa sobre o filme. Mas, e se o nosso tempo também não fosse linear? É essa questão que o neurocientista Pedro Calabrez levanta no livro Em busca de nós mesmos, publicado pela Citadel Editora.
 
Com um capítulo específico sobre a linearidade do tempo, o neurocientista expõe teorias de físicos e estudiosos. Nelas, o autor explica por que o conceito humano de tempo (passado, presente, futuro, nessa ordem e direção) está erroneamente assimilado no consciente humano e na sociedade. Parece confuso, mas com um texto essencialmente didático Calabrez consegue justificar e exemplificar as teorias por trás de sua argumentação. Quer um exemplo? Segue um trecho:
 
“Em um plano microscópico de leis fundamentais da física (como as leis de Newton, Einstein e a teoria quântica de campos), o tempo não tem direção. Em outras palavras, de acordo com essas leis, não existe diferença, assimetria e irreversibilidade entre passado e futuro. As leis da física tratam a direcionalidade do presente para o passado exatamente da mesma forma que tratam a do presente para o futuro.”
 
Pensar a questão do tempo foi uma tarefa que desafiou os filósofos desde sempre. Especialistas e leigos deste século XXI, que começou com tantas mudanças radicais, vão se sentir mais conectados  com os movimentos do mundo através da leitura deste livro. 

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