Uma casa com varanda

Por: Angela Gasparetto

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Almejo viver em uma casinha branca de varanda, _ plagiando aquela música do Peninha_, com colunas antigas e flores na sacada, onde eu possa contemplar as roupas ao longe no varal.
 
Apreciaria muito que por um capricho do dono anterior, esta casa ainda mantivesse um assoalho de tábuas antigas, daquelas que emitiam o som característico dos assoalhos rurais.
 
Almejo dormir em um quarto todo branco, com cortinas de voil e rendas, onde as janelas de madeira deem para um quintal onde viceja um pé de jabuticaba, que nem precisa ser centenário, mas que apenas exista para dar sentido doce a esta minha vida perfeita.
 
Da sacada desta minha casa imaginária, gostaria de divisar os ipês amarelos no final do inverno, o pôr-do-sol nas tardes de verão ou dormir na rede com meu livro favorito ao colo, ouvindo os pingos das chuvas no telhado e dar graças aos céus porque estaria de volta ao lar almejado.
 
Ao longe nesta casa mágica, queria divisar alguns bambuzais, pois eles eram a paisagem mais lúdica que tinha eu na minha infância. À noite, mesmo hoje na maturidade, eles ainda continuariam a serem meus amigos gigantes imaginários.
 
Nas manhãs solitárias de domingo, quando todos saíssem para ir ao culto, eu caminharia descalça por este assoalho abençoado, aspiraria o perfume das gardênias que enfeitariam a mesa rústica de centro e do fundo do corredor, poderia ainda sentir os raios tímidos do sol através das cortinas que tremulariam.
 
Depois, sentada na varanda do fundo, tomando um café perfumado, estaria ouvindo o real silêncio da paz. Aquele permeado de ventos amigos, de cheiros antigos, de comunhão de espirito e de reencontro com o meu eu original.
 
No quintal poderia sentir o perfume das goiabas que tão de maduras, cairiam ao chão, o barulho da bica d’água que preferiu existir aqui, a ser uma moderna torneira intrusa em um ambiente de prazeres módicos, de biscoitos assando, de vestidos de algodão, de noites de estrelas e de chuvas de verão.
 
Minha casa com varanda além de ser um estilo de vida, é acima de tudo um tesouro guardado no peito, o qual me motiva a viver sabendo que em algum lugar e em qualquer época, ele existe para eu voltar e construí-lo seja onde e como for.  

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