A Metamorfose, realidade fria e assustadora

Por: Caroline Arnold

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Na obra despida de humanidade, Franz Kafka, escritor tcheco, constrói um texto surpreendente e bizarro, se torna um ícone e vira até adjetivo: kafkiano – aquilo que é surreal. A Metamorfose foi publicado pela primeira vez em 1915 e, após um século, a leitura continua sendo absurda e fascinante para os leitores.
 
Neste conto, um dos mais celebrados da literatura mundial, o autor conta a história de um caixeiro-viajante, Gregor Samsa, um homem comum, trabalhador e pontual, que porém não era muito feliz. Por faltar ao trabalho causa espanto em seu chefe, que vai à casa do funcionário, sem esperar encontrar o que vê.
 
Nesta manhã, o protagonista acorda transmutado em um horrível inseto. Absurdamente, sua primeira preocupação é com o atraso para o trabalho, mas logo Samsa é obrigado a lidar com o pavor de todos ao se depararem com tamanha monstruosidade.
 
Esta obra traz diversas reflexões, como o lado bom que não enxergamos a olhos nus, a aceitação de nossas próprias mudanças, a questão da dignidade, o isolamento do indivíduo na sociedade. Relançada pelo selo Via Leitura, da Edipro, traz três grandes lições para a vida:
 
o destino pode  nos surpreender, portanto devemos fazer aquilo de que gostamos; mudanças fazem parte da existência, portanto, há que se aceitá-las com inteligência; aparências não mostram o que realmente a pessoa é, talvez apenas como a sociedade a obrigou a ser. 
 
A  Metamorfose é considerada uma das obras fundamentais da literatura do século XX. Intrincada e instigante, é uma das produções mais geniais de um mestre da ficção e do estilo, Franz Kafka (1883-1924), que  lamentou durante toda a vida não ter tido mais tempo para escrever.  Formado em direito, trabalhava para uma companhia de seguros. Ainda assim, produziu uma das obras mais influentes e intrigantes da literatura do século XX. Nascido em Praga, parte do império austro-húngaro à época, falava tcheco, mas todos os seus romances e contos eram escritos em alemão, a língua materna de sua família. Muitas de suas obras foram publicadas postumamente graças ao seu amigo Max Brod que negligenciou o último desejo de Kafka que lhe ordenara a destruição de todos os seus manuscritos.

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