Que alegria!

Por: Bruno Cunha

372755
 Todos os  dias passo por essa loja. E ela me conforta tão intrinsecamente que me sinto abraçado por ela. Talvez fosse muito cedo, daí o motivo da porta fechada. Mas quando aberta, um senhorzinho compenetrado, com seus oitenta e poucos anos, ainda sem nome, faz, com muito cuidado e técnica, reparos em guarda-chuvas e sombrinhas. E os fogões? Não sei ao certo, mas lá dentro há ainda muitos outros fogões. Saí hoje pra rua sem muita vontade, e no meio do trajeto parei para fotografar a lojinha. Fui para o meio da rua, certifiquei-me de que não vinha carro, de um lado nem do outro, e fotografei. Uma, duas, seis, sete vezes. Sete fotografias similares, mas não exatamente iguais. Na quarta ou quinta fotografia, uma senhora, essa da foto, que vinha caminhando em direção à loja, parou e com um sorrisão enorme disse:  tô te atrapalhando né! Prontamente respondi que não, de forma alguma. Eu que tô atrapalhando a senhora. Que você tá fotografando? Quis ela saber. A lojinha,  os fogões, não sei ao certo. Só acho bonito. Respondi. É verdade, tem muita coisa bonita nessa vida. Retrucou ela. E quase sempre a gente não vê. Completei. Ela concordou. Se despediu e me abençoou como faria minha mãe ou minha avó: Que Deus te abençoe, e que você se torne um fotógrafo profissional muito conhecido. Ri agradecido e respondi amém, querendo dizer que a fotografia era só um hobby, e que a literatura sim é a minha paixão. Não disse. E não consegui perguntar seu nome, mas poderia ela tranquilamente chamar-se Dona Lourde. No entanto, não. Por não saber seu nome, me sinto na obrigação de dar um a ela. A partir de agora, pra mim, ela é a Dona Gentil. Dona Gentil que, com todos os seus sinônimos, fez o meu dia mais feliz.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras