'Eu fico com a pureza da resposta das crianças'

Por: Ligia Freitas

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Estava sentada à beira mar, quando vi uma apoteose de mulher saindo do mar e caminhando em minha direção. 
 
Primeiro pensei na beleza, depois na inveja, depois a julguei. Deve viver para o corpo, não faz nada da vida, só pode! 
 
Avistei um senhor de mãos dadas com uma garota mais nova, primeiro me espantei, depois achei que eram pai e filha, depois vi que não eram e os julguei. Ele deve ter muito dinheiro. 
Sentei-me num restaurante e percebi ao meu lado uma mãe com uma linda menina. A mãe não saía do celular enquanto a menina se alimentava, ela parecia preferir o mundo virtual ao real. 
 
Primeiro julguei-a, depois a julguei e depois a julguei. 
 
Mas porque julgar uma mãe, que tal como eu é mediocremente humana, um ser naturalmente imperfeito, que não busca tronos e troféus, nesse mundo cruel.
 
Percebi o quanto estava gastando minhas energias com situações que não me diziam respeito e o quanto essas energias poderiam se voltar contra mim mesma.
 
Mas o que fazer em situações como essas? Quero respostas! Convoco o cantor e compositor Gonzaguinha e a menina Pollyana, do livro clássico infantil, para me ajudarem a desvendar essas situações.
 
Gonzaguinha aparece e diz: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças é a vida, é bonita e é bonita”.
 
-Venha Pollyana. Se o Gonzaguinha disse que as crianças sabem a resposta, diga-me como evitar esses tipos de situações?
 
-É simples, diz ela. Vou lhe ensinar o jogo do contente. É assim, sempre que uma situação de crítica indecente aparecer na sua mente imagine só coisas boas. 
 
Os conflitos, brigas e confusões desaparecerão da sua vida e os pensamentos positivos passarão a reverberar dentro de você. A consequência disso? O universo vai conspirar a seu favor. Vá, pratique o jogo de pensar com uma alma contente.
 
Então pronto. Vamos começar a jogar? 
 
Recarrego a minha bobina do tempo e volto a fita do julgamento alheio.
 
Imagino aquela linda mulher a sair do mar simplesmente feliz, realizada, afinal de contas não é isso o que importa? 
 
Vejo amor naquele casal, talvez carente, talvez desalmado, talvez contente, um talvez que não cabe ao meu ser indagar.
 
Vejo aquela menina dar um forte abraço na mãe, com lágrimas de saber perdoar. 
 
Recarrego novamente a minha bobina do tempo e percebo que o meu telhado é de vidro e está prestes a se quebrar.
 
Crack!

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