Flashes

Por: Angela Gasparetto

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É um momento de aura boa, de ventos macios, de luzes cintilantes.

É um breve instante de luminosidade. Eu diria o ápice da endorfina no cérebro. E tudo se completa. Tudo fica bom, tudo tem sentindo.

É assim que defino o momento feliz da vida. Você se sente posicionado naquele lugar. Aliás, você tem certeza que aquele momento é o seu lugar. Assemelha-se ao um orgasmo, mas em doses mais sutis.

Às vezes ocorre ao amanhecer, na hora que você se pega levantando os lençóis, se olhando no espelho, vendo os estragos que o tempo fez, ou não fez.

Ai você senta na cama, boceja, abre os braços e pensa: mais um dia, santo Deus! Obrigada!

Estes raros momentos acontecem também às vésperas do Natal. Onde tudo fica mais colorido, mais gentil, mais prazeroso.

 E você se esquece como o mundo às vezes é sórdido. Acredita por um breve segundo que a partir daquele momento tudo será mais aprazível. Viver será um passe de mágica. De facilidades não encontradas.

Acontece às vezes após o banho, durante o pentear dos cabelos, no café quente e confortante.

De repente, tudo fica mais fácil, maleável, claro, límpido.

E por que será? Por que será que estes flashes de bem-estar acontecem e são raros? São como joias que brilham escondidas em uma gaveta da sua vida e você despercebida abre deparando com o brilho que escapa dos escombros.

Mas quando você mergulha na rotina do dia-a-dia, tudo volta a ser tão banal que você raramente abre nem que por descuido aquela gaveta.

E caminhamos, caminhamos, caminhamos a estrada construindo planos, sonhos, caindo, levantando e os raros momentos de certezas são cada vez mais incertos.

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