Remédios caseiros

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Muito discreta e meio envergonhada, uma amiga, amiga íntima, revelou:
– Eu estava com uma inflamação na cutícula que não havia meio de sarar. Uma velha senhora disse-me , muito discretamente, que xixi era um santo remédio para tal incômodo. Fiz o que ela me aconselhou e a inflamação desapareceu por completo.

Não fiquei surpreendido com o caso dessa minha amiga visto que já ouvi dizer histórias mais extravagantes de mocinhas que tomavam o líquido ainda morno na suposição de que era bom para emagrecer e fazia bem para a pele. Sobre o xixi pude constatar, no tempo em que nadava pelos corguinhos, que ele era um excelente desentupidor de ouvido. A gente mijava na mão em concha, jogava o líquido na orelha e o desentupimento era instantâneo.

Caso inacreditável foi o de um senhor, meu conhecido, que queria livrar-se de sua indesejável calvície. Alguém lhe ensinou que titica de galinha fazia nascer cabelo. O incauto foi até o galinheiro, recolher a sujeira , fez um emplasto, colocou na cabeça, enfaixou-a e dormiu com aquela porcariada. No dia seguinte, levantou-se bem cedinho, lavou-se demoradamente, enxugou a careca vermelha e irritada. O resultado foi que além de não nascer nenhum fio de cabelo, o coitado perdeu ainda as penugens que ornavam a sua cabeça.

O alho é um desses remédios naturais considerados milagrosos: emagrece, abaixa o colesterol, combate infecções, regula a pressão arterial, inibe o desenvolvimento de tumores etc. Em vista de tantas funções terapêuticas, resolvi tomar um dente toda manhã. Tudo ia muito bem até que um dente graúdo entalou em minha garganta. A comida não descia e a água passava com dificuldade. Tive de apelar para os bons serviços do meu amigo Zé Tarcísio, ou melhor, o Dr. José Tarcísio Merlino que, com sua varinha mágica, desobstruiu a passagem e, assim, pude comer em paz.

Ainda sobre o alho, dizem que ele é bom para as hemorróidas. E a receita é simples: amasse um dente de alho e o submirja em uma xícara de óleo morno. Cura? Se cura, eu não sei. Mas quem passou disse que a secura acabou e tudo ficou no ponto, isto é, ao alho e óleo.



 

Chiachiri Filho é historiador, criador e diretor por oito anos do Arquivo municipal e membro da Academia Francana de Letras

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