Código de ética

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O Congresso Nacional aprovou recentemente uma lei que regulamenta os direitos e deveres dos médicos. Profissionais cuja atividade está intimamente ligada à medicina chegaram até a fazer passeata contra a nova lei. Contudo, não há dúvida de que todo diagnóstico e as recomemdações terapêuticas de uma doença devem ser da responsabilidade de um médico, isto é, de quem por longos anos estudou a estrutura, o funcionamento do corpo humano e as doenças que podem afetá-lo. Uma simples dor de cabeça, uma infecção de garganta, uma tosse persistente, um mal estar qualquer podem ser indícios de uma grave doença em curso que, se diagnosticada a tempo, poderá ser debelada antes que seja tarde de mais. Não resta a menor dúvida de que o diagnóstico é muito importante, desde que feito por um bom facultativo. Portanto, procure sempre um médico. O problema é aonde encontrá-lo. Até que se pegue a guia, a senha, o salvo-conduto, até que a fila ande, os exames sejam marcados e concluídos e a terapêutica indicada, as dores passaram, as infecções cederam ou o paciente morreu. Por isso é que muita gente procura o curandeiro do bairro ou a farmácia mais próxima para se medicar.


Antigamente, nas cidades interioranas, o farmacêutico supria a falta de médicos. Em Franca, quem não se lembra dos irmãos Silva ( o Manezinho e o Jaime ), dos Foroni (o Leonildo e o Anésio ), do Lourenço e de tantos outros? Se eles não curassem é porque a doença era brava mesmo.


Com a expansão dos cursos de Medicina, os profissionais dessa área foram, aos poucos, tomando o lugar dos farmacêuticos. Essa conquista de espaço, porém, não se deu sem vários atritos, velados e abertos. Contam que numa dessas cidades vizinhas à Franca, um velho farmacêutico mantinha a preferência popular, mesmo após a chegada de um médico recém formado. O médico sempre criticava o farmacêutico por seus diagnósticos e por suas receitas. Certa vez, um pai aflito levou o seu filho ao doutor e foi logo dizendo:


- Olha aqui, seo Dr! Eu levei o menino na Farmácia do seo Izá e ele...”
E o médico, interrompendo bruscamente o pai, perguntou:


- E qual foi a bobagem que o Izá disse?
E o pai, sem qualquer malícia:


- Ele mandou trazer o menino para que o Sr. desse uma examinada.

 

Chiachiri Filho
Historiador, criador e diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras

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