05/03/2017 - Reportagem de Sônia Machiavelli

Bolo de São Martinho é a delícia de hoje para você

Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca

O dia de São Martinho, 11 de novembro, é festejado em alguns países da Europa, mas as celebrações variam. Em Portugal costuma-se fazer um grande magusto, quando se bebe jeropiga. Traduzindo para o português do Brasil: é quando se comem castanhas assadas, acompanhadas de uma bebida que é mistura de suco de uva, água e açúcar. Explicam-se o sólido e o líquido: nesta época, as primeiras começam a cair ao chão, mostrando que estão no ponto de serem colhidas; a segunda deriva do fato de que é tempo de provar o vinho da última vindima, donde o ditado: “Em dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho.”
 
De acordo com alguns filólogos, a realização dos magustos remonta a uma antiga tradição de comemoração do Dia de Todos os Santos, onde se acendiam fogueiras e se assavam castanhas. Em outros países, como a Alemanha, fazem-se também procissões. Na Espanha matam-se porcos, costume que deu origem ao ditado popular “Cada porco tem o seu São Martinho”. Até no Reino Unido existe a expressão “verão de São Martinho” que, apesar de já raramente utilizada, liga-se também à crença de que o tempo melhora nos dias que antecedem o feriado religioso.
 
Mas quem foi este santo? Ele nasceu por volta de 316 numa cidade do Império Romano. Filho de militar, cresceu na região italiana de Pádua, no seio de família pagã. Criado para seguir a carreira do pai, foi convocado para o exército quando tinha quinze anos. Numa das campanhas de que participou, descobriu o Cristianismo. Abandonou as armas, foi batizado, mais tarde ordenado diácono e presbítero. Regressou à terra natal, converteu a mãe e se mudou para Milão, de onde foi expulso por oficiais romanos e levado a uma ilha da costa italiana. Como exilado ali permaneceu cinco anos.
 
De volta à Gália (hoje França), fundou o mais antigo mosteiro conhecido na Europa, em Tours, onde seus milagres passaram a atrair multidões. Morreu em oito de novembro de 397 e foi sepultado três dias depois. O local se tornou centro de peregrinação.
 
É na data do seu enterro, 11 de novembro, que se comemora o dia que lhe é dedicado. Acredita-se que, na véspera e no dia das comemorações, o tempo melhora e o sol aparece. O acontecimento é associado à conhecida lenda, segundo a qual num dia frio e chuvoso de inverno, Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer, cortou sua capa com a espada, deu-lhe a metade e seguiu viagem coberto com a outra. Mais à frente, encontrou um segundo mendigo, a quem entregou a outra metade do manto. Sem nada que o protegesse, continuou viagem. Nesse momento, nuvens pesadas que ameaçavam desabar desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias. Na quarta noite, Cristo teria aparecido a um monge num sonho, usando o tal manto dividido em dois e dizendo: “ Martinho me salvou do frio”. 
 
O culto a este santo é forte em Portugal e, no seu dia, o hábito arraigado leva a comer castanhas assadas, a esta altura vendidas por ambulantes nas ruas. Nas casas fazem-se bolos onde a castanha reina entre os ingredientes. Este que ilustra a página me foi inspirado por site lusitano ao qual cheguei depois de ter ganhado da amiga Rita Luz uma cesta de castanhas portuguesas oriundas de sua fazenda francana. Como comentei dia desses na minha página do Face, nunca poderia imaginar que houvesse tais castanheiras no Brasil. A partir da nota e da foto, vários internautas se manifestaram citando outros lugares de nosso Estado onde as castanheiras ficam carregadas de final de dezembro até fins de fevereiro. Para mim foi grande surpresa, e mais uma lição sobre o erro de nossas convicções, que são terríveis, pois nos impedem de ver melhor nosso entorno. Por aqui ficaria discorrendo muitos parágrafos sobre certezas absolutas e árvores espetaculares. Mas vamos à receita do bolo, pois é para isso que este espaço existe. 
 
Comece pelas castanhas. A única etapa mais chatinha é esta. Antes de colocá-las para cozinhar, faça um corte em x no lado mais fino. Cubra com água e cozinhe na panela de pressão por meia hora. Descasque enquanto estão quentes; fica mais fácil. Reserve algumas inteiras. Ligue o forno a 180º . Unte com manteiga uma forma de bolo inglês e polvilhe farinha. Reserve. Bata as claras em neve. Em outra tigela bata as gemas com açúcar e manteiga até formar um creme esbranquiçado. Adicione o leite, a baunilha, a canela, e, aos poucos, a farinha de trigo. Desligue a batedeira, acrescente as castanhas e o fermento em pó, mexendo para integrar bem. Por fim, agregue as claras, de baixo para cima e levemente. Despeje na forma e leve a assar por 40 minutos. Depois de assado salpique a superfície com açúcar de confeiteiro e enfeite com castanhas inteiras. 
 
Em tempo: se você não tem castanhas portuguesas, substitua por castanha-do-pará ou nozes. Também fica bom. 
 
Porção: 10
Dificuldade: fácil
Preço: econômico

Ingredientes
 
 3 ovos
 1 ½ xícara de açúcar
 2 xícaras de farinha de trigo peneirada
 1 colher (sopa) de manteiga 
 1 xícara (chá)de castanha portuguesa cozida e picada
 ¼ xícara (chá) de leite
 1 colher (sopa) de chocolate em pó
 1 colher (café) de baunilha
 1 colher (chá) de canela em pó
 1 colher (sobremesa)de fermento em pó

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