04/06/2017 - Reportagem de Sônia Machiavelli

Bolo pamonha

Ingredientes
 
4 xícaras (chá) bem cheias de grãos de milho verde
 
2 xícaras (chá) de leite
 
1 colher (sopa) bem cheia de manteiga
 
1 ½ xícara (chá) de açúcar
 
2 ovos
 
4 colheres (sopa) rasas de amido de milho (maisena) 
 
1 pitada de sal
 
1 colher (sopa) de fermento em pó
 
 
Quem tem na família crianças em idade escolar é avisado no comecinho do sexto mês do ano sobre as festas que estão chegando. Vem bilhetinho informando data do evento, avisando sobre roupas típicas, pedindo pesquisa de letra de canção, solicitando pratos que tenham a ver com as celebrações juninas. 
 
Há os que gostam delas. Há os que as detestam. Pelo sim e pelo não, o certo é que não perdem a força. Ao contrário, resistem bravamente agregando novidades, perfilando-se com o andamento dos novos tempos, mas mantendo a sua essência, que remete à colonização, ao mundo rural, ao fervor religioso, aos encantos da infância e à alegria de viver com simplicidade. Que o digam os xadrezes, as estampas, o chapéu de palha, a maquiagem, os penteados, o bigodinho postiço, a trança fake, as danças, a quadrilha, as cantigas, a fogueira e... a apetitosa mesa com comidas típicas. Tudo se reúne sob a bandeira da estética junina.
 
As folias de junho, que não têm data fixa e, na prática, podem ocorrer em qualquer dia do mês, fazem referência aos santos Antônio, João e Pedro, cujas festas litúrgicas se celebram respectivamente nos dias 13, 24 e 29. Há vários outros santos que também são lembrados no período, mas esse trio é certamente o mais popular há séculos, pelo menos na cultura ibérica.
 
Embora a tradição de celebrar o dia dos santos tenha vindo com os colonizadores, a versão brasileira ganhou características únicas, graças à fusão com os costumes locais. É daí que vem a predileção por guloseimas feitas à base de alimentos que sempre fizeram parte da dieta indígena e foram adotados pelos primeiros portugueses a chegar. Curioso é lembrar que aqui desembarcados identificaram uma coincidência: assim como os europeus, os índios preparavam festa também em junho, para agradecer a seu deus, Tupã, pelos alimentos que a terra lhes oferecia. Mesmo sem ter noção de calendário gregoriano, os selvagens, guiados pela natureza, faziam fogueiras, dançavam e bebiam cauim para festejar a colheita do milho, da mandioca, do amendoim, da abóbora. A festa acontecia na data que os civilizados chamavam “solstício” de inverno. Esta palavra aspeada vem do latim: sol+sistere, ou seja, “Sol que não se movimenta.” Trata-se de fenômeno meteorológico que ocorre quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa na Terra pela linha do equador. Embora a sua data não seja a mesma em todos os anos, pode-se dizer que se dá normalmente por volta do dia 21 de junho no hemisfério sul e 22 de dezembro no hemisfério norte. Tempo de frio e escuridão
 
A origem cristã das festas juninas, tal como as conhecemos, é inegável, mas, antes de tomarem essa forma, também povos muito antigos do hemisfério norte, entre eles os celtas, já tinham o costume de festejar o início das colheitas. Conforme o cristianismo foi se expandindo pela Europa, essas celebrações foram ganhando novos significados, menos pagãos, e passaram a ser promovidas pela própria Igreja Católica com foco nos santos. 
 
Alguns historiadores consideram, inclusive, que o adjetivo “junina”, do léxico português, não tem a ver necessariamente com o mês de junho, mas sim com o nome de São João. As festas, segundo essa versão, seriam “joaninas” e o nome foi se adaptando conforme o passar do tempo. São João é de fato o santo mais festejado dos três. No Nordeste, sua festa alcança a grandiloquência dos mega eventos, o que não acontece aqui no Sudeste, e muito menos no sul do País.
 
Este João não é o Evangelista que escreveu o Apocalipse, mas sim o Batista, que a tradição cristã diz ser parente de Jesus. Sua missão teria sido anunciar a vinda do Messias de quem disse “não ser digno de desatar as sandálias”. Sua mãe, Isabel, para avisar à prima Maria o nascimento de João, acendera no alto do morro onde morava uma fogueira. Assim, a fogueira dos antigos arraiais caipiras, herança portuguesa, traria em si mais esta simbologia. 
 
Mas seja qual for a região que a acolha, festa junina que se preze deve oferecer bolo de milho. A receita de hoje tem massa rústica e em alguns lugares se chama ‘pamonha assada’. Vamos lá, explicando antes que ‘pamonha’ vem do tupi (pa’ muña) e significa ‘pegajoso’, o que define a textura da iguaria.
 
Lave as espigas e corte rentes os grãos de milho. Raspe com colher o sabugo para aproveitar bem o amido. Coloque os grãos com as raspas no copo do liquidificador junto com o leite e a manteiga. Bata bem e despeje numa vasilha. Aos poucos acrescente o restante dos ingredientes, deixando o fermento por último. Despeje numa forma grande ou em potinhos de suflê, cubra com papel alumínio, leve para assar em forno pré-aquecido a 200 graus, por 45 minutos. Ao fim desse prazo retire o papel e deixe dourar levemente. 
 
Esta receita permite uma variação. Você pode fazê-la salgada. Nesse caso, em lugar do açúcar acrescente uma pitada de sal e misture à massa pedacinhos de queijo tipo Minas.

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